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Governo Lula vê Trump isolado e adota cautela diante da ida de Flávio Bolsonaro aos EUA

Integrantes do Palácio do Planalto avaliam que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encontra-se politicamente isolado ao contestar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais, ocorrido no domingo (25/10). Para auxiliares diretos do Executivo federal, a legitimidade das urnas é incontestável, visto que o resultado obteve validação imediata do Judiciário, do Legislativo, de observadores internacionais e da própria oposição brasileira.

Reconhecimento do pleito e contrastes internacionais

Na contagem final oficializada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula conquistou 51,79% dos votos válidos (64 milhões de votos), superando o senador Flávio Bolsonaro, que obteve 48,21% (59,8 milhões). O resultado marcou uma virada em relação ao primeiro turno, ocasião em que o parlamentar do Partido Liberal (PL) havia ficado à frente com 47,03%, ante 45,16% do candidato petista. A vitória foi reconhecida pela cúpula do PL e pelo candidato a vice na chapa derrotada, deputado Alfredo Gaspar.

No cenário externo, a postura de Trump de colocar em dúvida o sistema de votação é compartilhada por poucos aliados, como Israel e Argentina. O mandatário argentino, Javier Milei, figurou como o único chefe de Estado sul-americano a não cumprimentar Lula pela reeleição. Em contrapartida, diversos governantes da direita na região enviaram congratulações formais:

  • Santiago Peña, presidente do Paraguai;
  • Daniel Noboa, presidente do Equador;
  • José Antonio Kast, líder político no Chile;
  • Abelardo de la Espriella, liderança da Colômbia.

O Planalto considera sua posição institucional mais sólida do que durante a crise das tarifas no ano anterior, desencadeada pelo julgamento de Jair Bolsonaro em investigações de tentativa de golpe e pelas articulações de Eduardo Bolsonaro junto a autoridades norte-americanas antes de ter seu mandato cassado.

A rota de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos

A avaliação interna do governo aponta que a derrota nas urnas reduziu a força política de Flávio Bolsonaro fora do país. O senador viajou na noite de terça-feira (27/10), cruzando a fronteira terrestre entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, pela Ponte da Fraternidade. De acordo com informações apuradas, a família do parlamentar — acompanhado da esposa e de duas filhas — embarcou cerca de 40 minutos depois em um avião particular da empresa Baires Fly rumo a Guayaquil, no Equador, seguindo depois para Miami, onde pousou na manhã de quarta-feira (28/10).

A aeronave foi viabilizada pelo assessor de comunicação da Casa Branca, Jason Miller, que confirmou participação no apoio logístico, com autorização de Donald Trump para a entrada temporária do senador em solo norte-americano. Embora a polícia federal argentina afirme não possuir registros migratórios da passagem, o governo brasileiro vê evidências de suporte das administrações de Trump e Milei na operação.

Após o desembarque, Flávio divulgou um manifesto em que inicialmente se afirmava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, texto que foi retificado minutos depois para qualificá-lo apenas como “líder do Brasil”. Na mensagem, sem apresentar provas, fez alegações de irregularidades eleitorais e acusou o Judiciário de perseguição. Segundo o jornal The New York Times, o senador planeja pedir residência permanente (green card), em processo que poderá ter tramitação acelerada semelhante à concedida a Eduardo Bolsonaro em julho.

Em declarações dadas na quinta-feira (29/10), Trump voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro, chamando a eleição de “desgraça”, mas evitou responder quem considera o líder legítimo do país. Trump disse ainda querer conversar com o petista e alegou que Lula teria pedido sua neutralidade na disputa. O Planalto, contudo, indicou que não há solicitação para ligação telefônica entre ambos, embora haja previsão de que participem da Cúpula de Líderes do G20 em dezembro, nos Estados Unidos.

Postura do Palácio do Planalto

Diante dos acontecimentos, o presidente Lula determinou que ministros e porta-vozes mantenham discrição e não ampliem o embate público em torno do senador. A estratégia busca:

  • Tratar a situação de Flávio Bolsonaro estritamente no âmbito judicial e sob alçada da Polícia Federal;
  • Evitar municiar narrativas de perseguição estatal levantadas por grupos oposicionistas;
  • Aguardar o desfecho das eleições de meio de mandato (midterms) nos EUA, marcadas para 3 de novembro, que renovam a Câmara, um terço do Senado e 36 governos estaduais;
  • Preservar a linha pragmática de relacionamento com Washington e Buenos Aires, priorizando temas de comércio exterior e segurança pública durante o quarto mandato presidencial.
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