O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) reúne-se nesta terça-feira (15) para deliberar sobre o relatório elaborado pela Polícia Federal (PF) que aponta indícios de proximidade entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O julgamento definirá se o procedimento resultará na abertura de um inquérito contra o magistrado, no arquivamento do caso ou na anulação do material, conforme solicitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Contratos milionários e análise jurídica
Entre os pontos de destaque do documento policial estão acordos firmados com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. A apuração lista um contrato de aproximadamente R$ 130 milhões firmado pelo Banco Master, além de outro acordo no valor de R$ 50 milhões celebrado com uma empresa vinculada a Vorcaro.
De acordo com a PF, dados digitais sugerem que Moraes teria participado da revisão de minutas documentais. Em contrapartida, o escritório de advocacia esclareceu que o ministro foi apenas consultado previamente para checar eventuais impedimentos legais antes da celebração do termo. A investigação também destaca diálogos que mencionam a possibilidade de quitação de parcelas por meio de cotas de aeronaves, incluindo helicóptero e avião.
Troca de mensagens e aviso de operação policial
A perícia técnica da PF identificou 52 mensagens trocadas entre dezembro de 2023 e novembro de 2025, resgatadas do aparelho de Vorcaro a partir de capturas de tela do aplicativo Notas e outros arquivos residuais, já que o ex-banqueiro utilizava o recurso de mensagens temporárias no WhatsApp. As comunicações eram direcionadas a um contato registrado como Alexandre de Moraes BRASILIA, sem que as respostas completas do ministro constem integralmente no processo divulgado.
Entre os diálogos de maior relevância, ocorridos pouco antes da deflagração da Operação Compliance Zero, estão perguntas feitas por Vorcaro nos dias 15 e 16 de novembro de 2025 sobre a iminência de ações policiais:
“Acha que segunda já tenho que estar fora?”
Na ocasião, o ex-banqueiro também indagou se o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, estaria ciente das movimentações e perguntou: “Conseguimos fazer algo?”. Em comunicações anteriores, Vorcaro manifestou “gratidão da minha vida” e citou uma “dívida de vida” de sua família e sócios para com o ministro.
Na noite de 17 de novembro de 2025, momentos antes de ser detido no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava viajar ao exterior, Vorcaro enviou a mensagem “Estou online”. Na manhã seguinte, a PF deflagrou a operação e o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. Alexandre de Moraes nega qualquer conduta irregular.
Encontros e articulação de eventos
O levantamento da corporação cita ainda uma série de compromissos entre Vorcaro e Moraes entre 2023 e 2025. Os registros incluem:
- Orientações de Vorcaro para organizar uma recepção de padrão “ultra VIP” destinada a Moraes em Campos do Jordão;
- Organização de seminários jurídicos em Londres com patrocínio do Master, cujas listas de convidados passariam pelo crivo do ministro sob a instrução de “aprovar com Alexandre”.
Questionamento da PGR e rito do julgamento
Antes de avaliar o mérito do relatório, a Corte deverá julgar a preliminar de nulidade levantada pela PGR. A Procuradoria sustenta que a elaboração do documento foi ordenada pelo ministro André Mendonça sem provocação formal da PF ou do Ministério Público e sem autorização prévia do plenário.
Se a tese de vício de origem for acolhida pelos ministros, o procedimento poderá ser extinto de imediato. Contudo, integrantes do STF avaliam que os dados já expostos poderão ser considerados para definir se cabe ou não uma apuração formal subsequente.
