A empresa Meta informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que a interrupção no registro de reproduções em publicações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva decorreu de uma instabilidade sistêmica de abrangência global. De acordo com a proprietária do Instagram, Facebook e WhatsApp, a ocorrência não comprometeu o envio das postagens aos usuários nem teve motivação partidária ou impacto restrito ao cenário político brasileiro.
Pane temporária atingiu métricas em mais de cem nações
Na documentação técnica enviada à Justiça Eleitoral nesta segunda-feira (12/10), a subsidiária Facebook Serviços Online do Brasil esclareceu que uma falha travou os mecanismos que quantificam as visualizações dos Reels no Instagram. O problema perdurou das 15h50 até as 20h49 da quarta-feira (7/10).
Segundo a companhia, esse erro gerou a impressão de que os números estavam congelados ou zerados, afetando produtores de conteúdo em mais de cem países simultaneamente. A plataforma pontuou, contudo, que “a entrega do conteúdo continuou normalmente” e ressaltou que a veiculação do material na página oficial de Lula permaneceu consideravelmente acima do padrão habitual verificado no período.
Acusações de interferência feitas pela campanha petista
A explicação atende a uma determinação imposta pelo ministro Marco Aurélio Bellizze, juiz auxiliar de propaganda da Corte, que estipulou prazo de 48 horas no sábado (10/10) para a Meta apresentar relatórios técnicos. Na ocasião, o magistrado observou que as situações questionadas envolvem ferramentas mantidas e monitoradas exclusivamente pela empresa de tecnologia.
A representação foi proposta pela Coligação Brasil Pronto pra Mais — composta por PT, PSB, PDT, PCdoB, PV, PSol e Rede —, que também acionou a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD). O grupo acusa a plataforma de prejudicar o petista para favorecer Flávio Bolsonaro (PL) na disputa do segundo turno, agendada para 25 de outubro.
A peça jurídica apresentada pela aliança enumera outros incidentes atribuídos a falhas de sistema, tais como:
- Supressão do perfil do presidente das pesquisas de busca do Instagram em dezembro de 2025;
- Desligamento da conta de anúncios institucionais durante o primeiro turno;
- Paralisação das métricas de curtidas e exibições em 8 de outubro;
- Bloqueio para impulsionamento de peças publicitárias em 9 de outubro.
Prazos e próximos passos no tribunal
Para detalhar os procedimentos implementados em relação às páginas oficiais de Lula desde 16 de agosto, a Meta requereu prorrogação de 48 horas ao tribunal, justificando que a apuração nos registros internos ainda se encontra em curso. A defesa da rede social recusou-se a abrir informações de perfis de terceiros, sustentando o direito ao sigilo e o fato de que esses indivíduos não constam como partes nos autos.
Conforme o rito fixado pelo TSE, tanto a coligação de Lula quanto a Procuradoria-Geral Eleitoral disporão de 24 horas cada para se manifestar logo após a juntada definitiva das informações da Meta. Apenas após essas etapas o requerimento de tutela de urgência será julgado.
