Os corpos das seis pessoas que morreram no desabamento de uma edificação de 12 andares em obras, localizada na Rua Tequici, no bairro da Penha, zona leste de São Paulo, serão transladados para sepultamento na Bolívia. O grupo atingido pela estrutura era composto por sete cidadãos bolivianos e uma paraguaia.
Encerramento das buscas e atendimento aos sobreviventes
As buscas no local foram concluídas pelos bombeiros no domingo (13/9), após a localização da última vítima sob os escombros. No momento do acidente, ocorrido por volta das 2h de sábado (12/9), oito pessoas estavam no imóvel atingido pelo desabamento.
Entre as vítimas fatais está uma mulher grávida e uma criança. Duas pessoas conseguiram sobreviver: um homem de cerca de 30 anos e uma criança de 7 anos, que tiveram escoriações leves e receberam socorro médico imediato. Segundo a Defesa Civil, três imóveis vizinhos foram interditados para avaliações de segurança.
A força-tarefa de socorro contou com mais de 70 profissionais, entre bombeiros e militares, além de cão farejador e 22 viaturas em operação contínua.
Prisão e desdobramentos policiais
A Polícia Civil efetuou a prisão temporária de um dos sócios-proprietários da construtora New Home, responsável pelo empreendimento. O detido foi conduzido ao 24º DP (Ponte Rasa). Outros dois mandados de prisão foram expedidos contra representantes da construtora, que seguem procurados.
Conforme apontado pela administração municipal, os principais responsáveis pelo empreendimento são pai e filho, sendo o filho também o responsável técnico e engenheiro da edificação.
Histórico de autuações e apuração na Prefeitura
A obra acumulava notificações por descumprimento de normas urbanísticas desde 2019, quando foi autuada e embargada por não possuir alvará. Em 2021, a Procuradoria-Geral do Município ingressou na Justiça para barrar a continuidade das intervenções, aplicando sanções financeiras que incluíram uma multa de R$ 119 mil.
Em 2024, a concessão de novas autorizações foi vinculada à demolição total da estrutura preexistente. Apesar de o prédio não ter sido derrubado, um laudo assinado em fevereiro de 2024 por uma funcionária da Subprefeitura da Penha atestou falsamente que a demolição havia ocorrido de forma integral.
Diante do ocorrido, o prefeito Ricardo Nunes acionou a Controladoria-Geral do Município. O procurador-geral Daniel Falcão determinou o afastamento preventivo da servidora por pelo menos 30 dias para a condução das investigações internas.
