Um projeto de lei enviado à Câmara Municipal pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), prevê um reajuste salarial de até 57% para os auditores de finanças. A medida estabelece um piso inicial de R$ 21,5 mil, além de elevar a gratificação mensal paga a todos os servidores da Controladoria Geral do Município (CGM), que passará de R$ 700 para R$ 2 mil.
Impacto na fiscalização e queda de relatórios A CGM tem como atribuições principais auditar os gastos públicos, combater a corrupção, zelar pelo patrimônio municipal e fomentar a transparência. No entanto, a entidade reduziu drasticamente a produção de relatórios desde a chegada do advogado Daniel Falcão ao cargo de controlador em 2022, período em que articulou o pacote de bonificações para sua equipe. Registros oficiais apontam uma retração expressiva na entrega de documentos. Enquanto em 2019 foram emitidos 30 relatórios de auditoria e 15 notas técnicas, os anos recentes acumulam escassa ou nenhuma publicação oficial no site do órgão, cenário que incluiu atualizações repentinas de arquivos após questionamentos da imprensa. A prefeitura argumenta que a queda na quantidade de relatórios decorre de uma mudança metodológica, focada na gestão de riscos e priorização, e destaca que o órgão atingiu o Nível 2 do Modelo de Capacidade de Auditoria Interna (IA-CM), padrão internacional apoiado pelo Banco Mundial.
Disparidade salarial entre categorias A proposta gerou forte contestação entre os integrantes da carreira de Analista em Políticas Públicas e Gestão Governamental (APPGG). Ambas as funções — Auditor Municipal de Controle Interno (AMCI) e APPGG — nasceram sob a gestão de Fernando Haddad (PT) em 2015, espelhadas no modelo federal, onde possuem a mesma remuneração. Na capital paulista, embora tenham ingressado inicialmente pelo mesmo concurso com uma diferença salarial reduzida, a nova regra inverte o panorama. Os novos auditores ingressarão na administração municipal recebendo vencimentos superiores aos de analistas com uma década de carreira, sem contar o bônus exclusivo da CGM.
Detalhes do reajuste e justificativa oficial Dos 15 níveis da carreira de auditor, os dois iniciais receberão até 30% de acréscimo, enquanto os demais ultrapassam esse patamar. Para cinco níveis, a correção supera 50%, atingindo o teto de 57% nos quatro degraus mais altos da tabela. Em sua defesa, o Executivo municipal pontua que a atualização protege os quadros técnicos contra a evasão profissional, fortalecendo a governança e preparando a administração municipal para os desafios futuros. Em nota oficial, a gestão municipal contestou os índices divulgados e afirmou que a proposta contempla uma revisão de cerca de 25% no subsídio da carreira de AMCI. Somada à Gratificação Especial pela Prestação de Serviços de Controladoria (GEP), o ganho total pode alcançar 32% para quem atua na CGM. A administração enfatizou ainda que as carreiras de auditor e analista possuem atribuições e tabelas distintas, e que o escopo de atuação dos auditores engloba atividades como correição, ouvidoria, gestão de riscos e proteção de dados.

