Na última terça-feira (7/10), a Polícia Militar encerrou uma angústia de 18 dias ao localizar, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, uma garota de 10 anos que havia sido raptada pelo próprio pai. O acusado, identificado como Wellington Ferreira da Silva, acabou preso em flagrante. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a ocorrência foi tipificada como sequestro e cárcere privado, deixando o homem à disposição da Justiça.
Emboscada, violência e fuga em Barueri
O episódio teve início em 19 de setembro, quando o homem abordou a ex-companheira e a filha na rua portando uma arma de fogo. Sob coação, ambas foram forçadas a embarcar em um veículo de aplicativo em direção a um hotel em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo. No quarto, mãe e filha acabaram dopadas após ingerirem um alimento oferecido por ele.
A mãe da criança relatou ter despertado sendo brutalmente agredida por Wellington, que a estrangulou e a asfixiou com um travesseiro antes de fazê-la recobrar os sentidos com baldes de água. Por volta das 4h30 do dia 20 de setembro, ao retomar a consciência, a vítima percebeu que o agressor havia fugido com a filha, além de ter roubado pertences e aparelhos telefônicos.
Rotina de privações e extorsão durante o desaparecimento
Durante mais de duas semanas, o homem se deslocou por diferentes regiões com a garota, chegando a viajar para Curitiba, no Paraná, antes de descer para a Baixada Santista. Para custear os deslocamentos, ele vendeu os telefones dos adultos e chegou a obter R$ 2 mil com uma cunhada.
As primeiras notícias da criança chegaram somente no 12º dia, quando Wellington utilizou o aparelho da menina conectado a redes Wi-Fi para exigir quantias financeiras da mãe. Ele encaminhava fotografias da garota deitada em calçadas sob chuva como forma de chantagem.
A vítima de 10 anos relatou à família que:
- Passou fome recorrente enquanto o pai consumia entorpecentes e bebidas alcoólicas;
- Foi orientada pelo homem a pedir restos de comida em comércios e na via pública;
- Caminhou longas distâncias, o que provocou ferimentos em seus pés e exigiu atendimento ambulatorial após o resgate.
Histórico de violência doméstica e medidas judiciais
Wellington Ferreira da Silva possui antecedentes criminais graves. Ainda durante a adolescência, ele baleou uma antiga parceira, deixando-a paraplégica. Já no relacionamento de 11 anos com a mãe da garota resgatada, o comportamento violento escalou nos últimos seis anos, período no qual ele chegou a fraturar a mandíbula da mulher.
A relação havia terminado quatro meses antes da captura da filha. Na ocasião, a mulher solicitou medida protetiva judicial, ordem concedida apenas para ela. Após a localização da menina, a Justiça deferiu a guarda exclusiva da criança para a genitora. Ambas recebem suporte psicológico para lidar com os traumas causados pelo episódio.
