LarBRASILMP denuncia ex-donos da Naskar por fraude de R$ 900 milhões

MP denuncia ex-donos da Naskar por fraude de R$ 900 milhões

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios apresentou denúncia formal contra os três antigos proprietários da Naskar e o homem apontado como o novo comprador da fintech. Os quatro suspeitos são acusados de integrar uma organização criminosa e praticar fraudes com ativos financeiros e digitais, em um caso que teria gerado um rombo estimado em R$ 900 milhões e afetado mais de 3 mil pessoas.

Promessas de alta rentabilidade e contratos de mútuo

A companhia atraía clientes oferecendo uma carteira de investimentos diversificada com rentabilidade líquida prometida entre 1,5% e 2,2% ao mês, além de alta liquidez e proteção ao capital aportado. Oficialmente, os clientes assinavam acordos de mútuo feneratício, embora os produtos fossem comercializados como aplicações tradicionais em ações, opções e CDBs.

Conforme a acusação, o negócio operava com características de um esquema Ponzi, onde os ganhos dos primeiros aportadores vinham do dinheiro injetado por novas vítimas. Planilhas internas revelam que o volume financeiro saltou de cerca de R$ 541 milhões no fim de 2024 para aproximadamente R$ 819 milhões no encerramento de 2025.

Prejuízos ocultos e retiradas milionárias

Enquanto a captação de recursos avançava, a saúde financeira da empresa afundava. No final de abril, o passivo totalizou cerca de R$ 848,4 milhões, contra apenas R$ 654,1 milhões em ativos e um caixa imediato de somente R$ 9,2 milhões.

Além disso, relatórios apontam perdas superiores a R$ 315 milhões em operações de renda variável na Bolsa de valores, incluindo prejuízos expressivos em negociações com ações do Banco do Brasil. O ponto central da investigação é que esses buraques financeiros eram escondidos dos clientes, enquanto a diretoria continuava a assegurar lucros fixos e segurança.

Mesmo com a derrocada das contas, os antigos controladores sacavam valores expressivos mensalmente. Os promotores apontam que Marcelo Liranço Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato — este último conhecido ex-jogador de vôlei e ex-apresentador de TV — retiravam cerca de R$ 600 mil por mês cada um, sem justificativa econômica válida.

A suposta compra bilionária e os desdobramentos

Com o esgotamento do modelo original, a empresa anunciou ter sido adquirida por R$ 1,2 bilhão por Douglas Silva de Oliveira Azara. Para o órgão ministerial, a transação funcionou como um segundo ardil para manter as vítimas esperançosas de reaverem os valores. A investigação apontou que o comprador tinha renda declarada incompatível e liderava empresas sem patrimônio real para assumir o passivo bilionário.

Atualmente, três dos réus encontram-se presos desde julho, com pedidos de liberdade negados por instâncias superiores, enquanto o quarto investigado é considerado foragido. O Ministério Público requer a condenação dos envolvidos e que os bens apreendidos sejam revertidos prioritariamente para a indenização dos investidores lesados, enquanto as investigações prosseguem para identificar outros possíveis intermediários.

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