Uma moradora de Cascavel, no Paraná, teve uma surpresa incomum ao voltar de uma viagem de dez dias e encontrar um urubu chocando um ovo dentro da churrasqueira do seu apartamento. A ave silvestre aproveitou a ausência de circulação na varanda para transformar o eletrodoméstico em um refúgio seguro durante o período em que o imóvel ficou vazio.
A descoberta noturna na sacada
Como a ceramista Micaela La Falce havia acabado de se mudar e ainda arrumava os cômodos, o flagrante ocorreu no período da noite, no momento em que ela abriu a porta para arejar o ambiente. A princípio, a moradora pensou que o animal estivesse apenas pousado temporariamente e que bateria asas rumo a outro destino em pouco tempo.
Orientação do órgão ambiental
Contudo, ao amanhecer, a profissional notou que o bicho permanecia imóvel no mesmo lugar, protegendo um ovo. Diante da situação inusitada, ela decidiu contatar o Instituto Água e Terra do Paraná (IAT) para buscar diretrizes corretas sobre como proceder com a remoção.
Proibição legal de remoção
Para espanto geral no condomínio, a resposta do órgão competente foi categórica: é terminantemente proibido tocar na ave, mexer no ovo ou desmanchar a estrutura. Pela legislação brasileira, tanto a fauna silvestre quanto seus abrigos reprodutivos recebem proteção integral do Estado contra interferências humanas.
Diante da interdição, a moradora cancelou os planos de usar a área externa para receber visitas e batizou o animal de Úrsula. Pouco tempo depois, um segundo espécime passou a frequentar a varanda para apoiar a incubação, recebendo o nome de Morfeu.
Longo período de espera
As regras exigem que a proprietária mantenha distância segura, evite barulhos na região da churrasqueira e não forneça qualquer tipo de alimentação ou água aos bichos. A estimativa técnica aponta que o ciclo completo de choca e crescimento do filhote pode se estender por até três meses.
Somente após a partida espontânea dos animais é que a higienização do espaço será permitida, acompanhada pela instalação futura de telas protetoras. Enquanto aguarda recuperar sua varanda, a artista planeja transformar a convivência inusitada em inspiração para uma nova linha de criações cerâmicas.
