Um levantamento científico inédito revelou que 64,6% dos adolescentes homens que fazem sexo com homens nunca tinham realizado um teste de HIV antes de participarem da pesquisa. O estudo avaliou 287 jovens cisgêneros com idades entre 15 e 19 anos em São Paulo e Fortaleza, destacando lacunas importantes nas estratégias de prevenção voltadas para esse público.
Comportamentos de risco e vulnerabilidade
Além da falta de testagem, o trabalho científico mapeou outras práticas associadas à vulnerabilidade ao vírus. Entre os participantes, 38% relataram o uso inconsistente de preservativos e 23,8% mencionaram o uso sexualizado de drogas. A coleta de dados ocorreu entre dezembro de 2020 e julho de 2022, com idade mediana de 17 anos.
As análises estatísticas demonstraram que o consumo semanal de álcool eleva em quase três vezes a prevalência de relações sexuais sem camisinha. Já a prática sexual com parceiros de status sorológico desconhecido apareceu associada a um risco 1,6 vez maior.
Necessidade de novos serviços de saúde
Diante do cenário, pesquisadores da Universidade Federal do Ceará e instituições parceiras defendem a criação de serviços de saúde mais acessíveis, confidenciais e direcionados especificamente aos adolescentes. A ampliação do acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP), aos preservativos e à testagem regular é apontada como prioridade urgente.
Escolas, postos de atendimento básico e organizações da sociedade civil também foram destacados como espaços fundamentais para aproximar a população jovem das ferramentas de prevenção ao HIV.
Como funciona a testagem pelo SUS
O diagnóstico precoce é uma das armas mais eficazes no controle da infecção, sendo oferecido de forma totalmente gratuita pelo sistema público. O teste rápido pode utilizar amostras de sangue ou fluido oral, entregando o laudo em poucos minutos.
Outra alternativa relevante é o autoteste, que permite ao usuário realizar o procedimento em casa com total privacidade. É fundamental respeitar a chamada janela imunológica — período de cerca de 30 dias exigido pelo Ministério da Saúde para que o organismo produza anticorpos detectáveis. Em caso de resultado reagente ou exposição recente ao vírus nas últimas 72 horas, o indivíduo deve buscar atendimento médico imediatamente para iniciar a profilaxia pós-exposição (PEP).
