O ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do chefe de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. A medida ocorreu após vir à tona que relatórios da corporação usaram a matriz religiosa comum entre o magistrado e o advogado-geral da União, Jorge Messias, para tentar justificar decisões judiciais.
Críticas duras à investigação de inteligência
Ao examinar os documentos produzidos pelos órgãos de segurança, Mendonça reagiu com veemência ao ver sua crença e a de Messias associadas a análises de comportamento institucional. O ministro taxou a linha de raciocínio adotada pelos investigadores como surreal e abjeta, rechaçando qualquer tentativa de vincular a fé evangélica de ambos aos julgamentos conduzidos na Suprema Corte e na AGU.
O conteúdo sob escrutínio tentava decifrar por que o chefe da Advocacia-Geral da União teria deixado de atender a um pleito do comando da PF para reverter decisões tomadas pelo magistrado nas operações Sem Desconto e Compliance Zero. A inteligência policial levantou a hipótese de que a postura visava preservar laços políticos, inserindo na equação o apoio de igrejas evangélicas às trajetórias públicas de ambos.
Baixa confiabilidade e monitoramento direcionado
Um ponto nevrálgico destacado na decisão de Mendonça diz respeito à fragilidade técnica das próprias apurações da corporação. O material elaborado pelos investigadores admitia que a cadeia de inferências possuía um nível de confiança classificado como baixo, recomendando que os dados não servissem de base para providências formais ou manifestações externas.
Apesar das ressalvas sobre a solidez das hipóteses, o documento indicava aval para a realização de monitoramento e coleta dirigida. Para o integrante da Suprema Corte, tal constatação comprova que a atuação policial extrapolou a mera elaboração de cenários hipotéticos, configurando vigilância ativa sobre autoridades da mais alta instância do país.
Investigação continuada e documentos apócrifos
O magistrado apontou que os arquivos analisados revelam indícios de um acompanhamento sistemático e ilegal que durava mais de 30 dias. Trechos citados na decisão mostram referências a dados inéditos e avaliações prévias sobre a proximidade entre ele e Jorge Messias, reforçando a tese de uma atividade contínua de campana por parte dos órgãos de inteligência.
Além do teor das análises, a decisão do STF disparou alertas sobre a forma como os papéis foram confeccionados. Mendonça ressaltou que os relatórios eram apócrifos e careciam de elementos formais essenciais, como timbre, brasão, numeração ou assinaturas que pudessem atestar a autoria e responsabilizar formalmente os agentes envolvidos na produção do material.
