Uma imensa estrutura geológica de cerca de 100 quilômetros quadrados localizada no sul de Madagascar chamou a atenção dos cientistas em um registro feito do espaço. A área, conhecida como maciço de Saririaky, se sobressai em meio ao terreno árido devido ao seu formato circular e à sua composição singular.
A ligação entre as rochas de Madagascar e a superfície lunar
O principal atrativo científico do local é a ampla presença de anortosito. Trata-se do mesmo mineral rochoso que constitui a maior parte das áreas mais claras e brilhantes da Lua, perceptíveis a olho nu da Terra.
Enquanto na crosta lunar esse material tem mais de 4 bilhões de anos e surgiu do resfriamento de um oceano primordial de magma, na Terra o anortosito se consolidou no subsolo, desenvolvendo grandes cristais minerais. Devido ao número reduzido de amostras coletadas pelas missões do programa Apollo, as formações terrestres funcionam como referências fundamentais para desvendar a história geológica do satélite natural.
Histórico geológico e o supercontinente Gondwana
Estimativas apontam que o maciço de Saririaky surgiu há pelo menos 600 milhões de anos. Ao longo das eras, as rochas do entorno sofreram intensas transformações decorrentes de temperaturas extremas e pressões tectônicas geradas pela colisão de massas continentais durante o surgimento de Gondwana — supercontinente que agrupava partes dos territórios atuais de Madagascar, África, Índia, Austrália e Antártida.
Entre os dados analisados pelos pesquisadores, destacam-se os seguintes pontos:
- Cientistas trabalham com a hipótese de que outra estrutura de anortosito, situada a aproximadamente 60 quilômetros ao norte, tenha se desmembrado de Saririaky devido ao estiramento e à deformação da crosta.
- Ocorrências semelhantes de anortosito na Terra são encontradas em territórios como o leste do Canadá, a Escandinávia e o sul da Índia.
Detalhes do registro orbital
A imagem foi capturada em 28 de agosto de 2026 por um astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional e divulgada oficialmente pela Nasa em 5 de outubro.
