LarBRASILPOLÍTICALula é aconselhado a evitar crise do STF em discursos de campanha

Lula é aconselhado a evitar crise do STF em discursos de campanha

Orientação é evitar novas declarações sobre o Supremo e concentrar o discurso em propostas relacionadas ao cotidiano da população

A repercussão da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) acendeu um sinal de alerta na cúpula da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação interna é de que uma nova sessão da Corte, em meio à disputa eleitoral, poderá provocar novos desgastes e prejudicar o desempenho do candidato na reta final do primeiro turno.

Segundo interlocutores da campanha, a orientação é evitar novas manifestações sobre o Supremo. O alerta aumentou depois de Lula elogiar o ministro Alexandre de Moraes por sua atuação em defesa da democracia e criticar André Mendonça, a quem atribuiu a divulgação seletiva de informações relacionadas às investigações dos casos Banco Master e INSS. As declarações ocorreram em um momento de tensão interna no STF e de incertezas sobre o andamento das apurações.

Embora aliados afirmem que Lula procurou defender as instituições democráticas e cobrar transparência, a leitura predominante dentro da campanha é de que qualquer nova declaração sobre a Corte poderá prolongar a crise, fortalecer o sentimento antissistema e reativar o antipetismo entre parcelas do eleitorado.

Nas palavras de um integrante influente da campanha, “o Supremo tem que sair de vista”.

Aliados também admitem que o episódio interrompeu o movimento de crescimento que Lula buscava consolidar nas últimas semanas antes da votação. Diante desse cenário, a estratégia deverá ser redirecionada para assuntos diretamente ligados à vida dos brasileiros.

Entre os temas considerados prioritários estão o fim da escala de trabalho 6×1, a valorização do salário mínimo, a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), o combate ao endividamento das famílias, a regulamentação das casas de apostas — as chamadas bets — e propostas para a segurança pública.

A campanha também pretende ampliar as comparações entre Lula e Flávio Bolsonaro. A estratégia será apresentar o presidente como um político experiente e com trajetória internacional, enquanto buscará vincular o adversário às controvérsias e acusações que envolvem o grupo político bolsonarista.

Com a mudança de rumo, o objetivo é retirar o STF do centro do debate e recolocar as propostas sociais e econômicas como principais temas da reta final da campanha.

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