A Justiça do Distrito Federal determinou a soltura dos três ex-diretores da fintech Naskar Gestão LTDA., que estavam detidos há um mês no estado de São Paulo. O trio é apontado como responsável pelo desaparecimento de R$ 900 milhões, valor que pertencia a mais de três mil investidores em todo o país.
Motivos para a liberação dos investigados
O alvará de soltura foi emitido na tarde da última quinta-feira (3/9) pelo juiz Aimar Neres de Matos. Entre os fundamentos da decisão, o magistrado destacou que as apurações policiais foram formalmente encerradas em 28 de agosto e que eventuais perícias pendentes em materiais já confiscados não justificavam a manutenção das prisões preventivas.
O magistrado pontuou que diligências de busca e apreensão já haviam sido concluídas. Nessa etapa, agentes recolheram dispositivos eletrônicos, cadernos de contabilidade e documentos que agora estão sob guarda estatal, sem indícios de tentativa de atrapalhar o andamento das investigações ou risco iminente de fuga.
Medidas cautelares impostas pelo juiz
Apesar de conceder a liberdade, a Justiça estabeleceu oito restrições rigorosas ao grupo, incluindo a entrega de passaportes, recolhimento noturno obrigatório, proibição de contato com vítimas e testemunhas, além da interdição total de acesso a empresas ligadas ao caso.
Anteriormente, em 25 de agosto, o ministro Carlos Pires Brandão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), havia rejeitado um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. O relator apontou que a corte não possuía competência legal para analisar o recurso naquele momento processual, pois a decisão contestada ainda não havia sido avaliada por um colegiado do tribunal de origem.
O funcionamento da fintech e o calote
Com atuação anterior no Distrito Federal e sede recente em São Paulo, a Naskar Gestão de Ativos funcionava prometendo lucros atrativos de até 2% ao mês, patamar bastante superior às médias do mercado financeiro tradicional. O modelo atraía aportes sob a promessa de gestão patrimonial rentável.
A operação funcionou durante 13 anos sem registros de irregularidades, até que, em maio, os repasses mensais aos clientes cessaram abruptamente. Sem explicações ou canais de atendimento efetivos, os investidores perceberam o rombo financeiro e acionaram as autoridades.
Perfil dos envolvidos no esquema
O grupo é formado por José Maurício Volpato (conhecido como Maurício Jahu, ex-jogador de vôlei da Seleção Brasileira e ex-apresentador de TV com longa trajetória na ESPN), Marcelo Liranco Arantes (sócio de outras três empresas) e Rogério Vieira (gestor de duas companhias no setor financeiro). O bloqueio de bens e as restrições patrimoniais impostas às empresas continuam vigentes.
