A jurista sul-africana de origem indiana Navanethem “Navi” Pillay foi anunciada como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. O reconhecimento homenageia sua ampla trajetória dedicada ao fortalecimento do direito internacional e à construção da paz global.
Carreira marcada pelo combate ao apartheid e defesa dos direitos humanos
Pillay construiu uma história expressiva na luta contra a segregação racial na África do Sul. Como advogada durante a vigência do regime do apartheid, atuou em julgamentos baseados na rígida Lei de Terrorismo e garantiu conquistas fundamentais para detidos políticos encarcerados na Ilha de Robben, presídio onde Nelson Mandela permaneceu isolado por anos.
Em 1995, logo após a transição democrática liderada por Mandela, a jurista foi indicada pelo então presidente para o Tribunal Superior da África do Sul, tornando-se a primeira mulher não branca a integrar a mais alta corte do país.
Atuação de destaque no cenário global
No âmbito multilateral, a trajetória de Navi Pillay inclui liderança em postos de grande relevância:
- Juíza do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) no processo sobre as acusações de genocídio em Myanmar;
- Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre os anos de 2008 e 2014;
- Presidente do Tribunal Penal Internacional para Ruanda (TPIR);
- Presidente da Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado.
O valor do Estado de direito para a ordem mundial
Ao justificar a premiação, o comitê norueguês destacou o papel pedagógico e transformador das instâncias judiciais:
“Em casos históricos de tribunais internacionais, ela demonstrou que medidas legais podem ajudar a prevenir atos de guerra e violência. Navi Pillay responsabilizou os estados e os líderes nacionais e trouxe esperança às vítimas da violência e dos conflitos.”
A entidade ressaltou que, diante do crescimento dos conflitos armados no planeta, a aplicação do direito internacional deixou de ser opcional para se consolidar como uma exigência vital para a sobrevivência das nações e a resolução pacífica de disputas.
Processo de escolha do Nobel
O Nobel da Paz é concedido por um comitê independente eleito pelos parlamentares da Noruega. Nesta edição de 2026, foram analisadas 287 candidaturas, divididas entre 208 personalidades e 79 entidades. No ano anterior, a honraria havia sido concedida à ativista e líder política venezuelana María Corina Machado.
