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Investigação da PF detalha linha de montagem digital usada pelo Banco Master para forjar contratos

Um relatório técnico-pericial elaborado pela Polícia Federal revelou o funcionamento de uma verdadeira linha de montagem digital operada no interior do Banco Master. O objetivo do esquema era fabricar dossiês e dar aparência de legitimidade a uma carteira de R$ 7,15 bilhões em cessões fictícias de crédito consignado, envolvendo a empresa de fachada Tirreno Consultoria e o Banco de Brasília (BRB).

As conclusões da perícia tiveram como base a apreensão de uma apresentação de 30 slides intitulada "Investigações internas – Banco Master", que detalhava atividades realizadas entre 18 de junho e 24 de outubro de 2025. O material demonstrou a combinação de programas personalizados, ferramentas de escritório e manipulação de arquivos PDF para reciclar operações antigas e dados de clientes reais.

Extração de cadastros reais e criação de documentos em lote

O processo começava com a captura de informações de clientes que haviam contratado produtos legítimos, como o CredCesta, voltado a servidores públicos, aposentados e pensionistas. Em 2 de julho de 2025, o coordenador de Controles do Back Office, Fabrizio Pereira Alencar, solicitou ao analista de Projetos Sênior da TI, Vinicius Lucas Trentino, uma listagem de CPFs via Microsoft Teams.

Vinicius gerou a planilha Dados_cessão.xlsx a partir do arquivo cpf_cessao.csv e da execução do script Contratos_Henrique_Dados.sql. O arquivo compilava nomes, CPFs, datas de nascimento e filiação. Diálogos entre os técnicos Rafael Manfrin da Silva e Thiago Ramalho expuseram inconsistências na base, com registros de propostas isoladas de 2019 que tornavam a lista incompatível com a demanda.

A partir desses dados, Allan da Silva Machado, gerente de Operações I do Back Office, utilizou o recurso de mala direta do Microsoft Word para integrar a base de dados ao arquivo PROCURACAO Master.docx. Com essa automação, foram emitidas 2.700 procurações em lote no dia 20 de junho de 2025.

Programação em C# e reciclagem de assinaturas

A equipe de tecnologia também desenvolveu soluções customizadas em C#, registradas no repositório GitHub da instituição financeira. Códigos elaborados por Thiago Ramalho, Rafael Manfrin da Silva e Renato M. tinham como função isolar exclusivamente a segunda página de arquivos PDF, onde constavam as assinaturas originais.

A perícia constatou o envio de um arquivo compactado por Anderson Juliano Caspinelli Garcia a Moacir Lourenço da Silva Junior com 1.833 páginas de assinaturas extraídas de Termos de Consentimento, prontas para serem reutilizadas em novas peças documentais.

No caso das Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), extraídas do sistema idtrust por Henrique Pupo e Henrique Gonçalves Silva, foi criada uma força-tarefa em 20 de junho com Fabrizio Alencar, Allan Machado, Daniel Guscuma e Henrique para assinar 675 CCBs cada. Embora o texto dos documentos exibisse datas retroativas (como janeiro de 2025), o registro criptográfico do certificado digital no Adobe Acrobat Reader comprovou a assinatura em junho de 2025.

Supressão de datas e montagem dos dossiês

Para mascarar a cronologia original, Allan Machado determinou que Moacir Lourenço eliminasse as indicações temporais dos Termos de Consentimento. Em um caso identificado pela perícia, o termo de Genilson Lima Leal, datado originalmente de 24 de fevereiro de 2023, teve o carimbo de data e hora visualmente removido em 3 de julho de 2025.

Após a preparação individual das peças, Allan utilizou o programa PDF24 para consolidar CCBs, procurações e termos adulterados em arquivos únicos. Os dossiês finais eram distribuídos em pastas de rede identificadas como demandas de 2.700, 299 e 119 amostras para o BRB.

Houve ainda tentativas de modificar comprovantes de transferências bancárias via PIX e SPB para suprimir o número do contrato e a descrição "LIBERAÇÃO CREDCESTA VIA PIX". No entanto, a funcionária Romy Goerck Gentina Klenquen alertou Allan sobre a inviabilidade de alterar manualmente milhares de comprovantes gráficos no editor.

Respostas à auditoria e conhecimento da direção

Quando questionados por auditores independentes da Deloitte sobre inconsistências na carteira da Tirreno, executivos articularam justificativas. Em conversas monitoradas, Fabrizio Alencar relatou as cobranças e Alberto Felix de Oliveira Neto orientou que as divergências fossem tratadas como "erro operacional na seleção".

Os relatórios finais e conjuntos de amostras chegaram à alta cúpula da instituição. Mensagens de 12 de junho de 2025 mostram que o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, solicitou diretamente a Alberto Felix o envio do material com assinaturas digitais, recebendo a documentação estruturada pela equipe técnica.

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