LarBRASILInvestigação apura contrato de Wi-Fi de R$ 108 milhões em SP

Investigação apura contrato de Wi-Fi de R$ 108 milhões em SP

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo colocou sob suspeita um contrato de 108 milhões de reais firmado entre a Prefeitura e o Instituto Conhecer Brasil, conhecido como ICB. A entidade, historicamente voltada para iniciativas culturais, feiras e projetos religiosos, assumiu a missão de instalar e operar milhares de pontos de internet gratuita nas periferias da capital paulista.

Histórico de atuação em feiras e literatura cristã Fundado em 1990, o ICB concentrava suas atividades em projetos educacionais e religiosos, frequentemente financiados por emendas parlamentares. Sob a liderança de Karina Ferreira da Gama, a instituição realizou encontros de literatura cristã, como o evento IDE em 2018, além de articular parcerias voltadas para o meio gospel e iniciativas de letramento digital ao longo dos anos.

A guinada para as telecomunicações O perfil da entidade sofreu uma mudança drástica em junho de 2024, quando o instituto assinou o Termo de Colaboração número 01/2024 com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. O objetivo era implantar cinco mil pontos de internet sem fio em comunidades carentes.

Os investigadores apontam que o ICB não possuía bagagem anterior no setor de telecomunicações e foi o único participante do chamamento público. O Tribunal de Contas do Município chegou a apontar dezenas de falhas no edital e recomendou a suspensão do procedimento.

Diferenças de custos e repasses sob escrutínio O volume financeiro do projeto também gerou questionamentos. A polícia comparou o acordo com contratos anteriores firmados com uma empresa municipal de tecnologia, apontando que o custo por ponto estabelecido com o ICB era substancialmente mais alto. Enquanto administrações passadas previam valores menores por implantação e manutenção, o novo modelo poderia chegar a 1.800 reais mensais por unidade.

Em contrapartida, a administração municipal defende que o escopo atual engloba fornecimento completo de infraestrutura, obras civis, equipamentos e mapeamento técnico. Paralelamente, auditorias policiais identificaram repasses milionários realizados antes da efetiva entrega dos serviços e a operação de apenas uma fração mínima dos pontos prometidos no período inicial.

Subcontratações e novos vínculos sob investigação Para cumprir o acordo, a entidade subcontratou diversas empresas do setor tecnológico, cujos contratos somavam aproximadamente 98 milhões de reais. No decorrer das diligências da Operação WiFi Livre, os agentes públicos recolheram documentos que revelaram a existência de outros quatro termos de colaboração firmados entre o instituto e a pasta municipal.

As apurações continuam para rastrear o destino dos recursos públicos, examinar as subcontratações e verificar eventuais desvios de finalidade nos valores repassados ao longo da execução do programa de conectividade urbana.

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