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Operação contra esquema de roubo, receptação e venda de celulares apreende mais de 50 toneladas de material em São Paulo

Pelo menos sete caminhões e dois ônibus com mais de 50 toneladas de aparelhos e peças de celulares foram apreendidos até a tarde desta quinta-feira (10) durante a Operação Frankmobile, criada para desarticular a cadeia de roubo, furto e receptação que operava em São Paulo. A ação é a maior já realizada no Estado de São Paulo.

Cerca de 1,7 mil agentes da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Ministério Público, Secretaria de Estado da Segurança Pública e Secretaria da Fazenda cumpriram mandados de busca e apreensão, que resultaram na prisão de 15 pessoas.

Os celulares foram apreendidos no bairro do Cambuci e no Shopping Mundo Oriente. Além dos aparelhos, a polícia também apreendeu R$ 122,5 mil em dinheiro, dois cartões bancários e três relógios, além de notebooks, tablets e pendrives. Todo o material apreendido foi levado para a Corregedoria da Polícia Civil, onde ficará armazenado até o final das investigações.

“É a maior operação do gênero já feita no Estado de São Paulo”, disse o governador Tarcísio de Freitas. “A gente sabe que tem um longo caminho pela frente e precisamos trilhar esse caminho passo por passo, usando a inteligência, a asfixia financeira e a cooperação entre as instituições. A gente está atento, diligente e combatendo a criminalidade com toda a força.”

A operação desta quinta-feira é fruto de intenso trabalho de inteligência conduzida pelos promotores do  Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) nos últimos dois anos, em conjunto da Assessoria de Inteligência da Secretaria de Estado da Segurança Pública.

Entenda como funcionava a cadeia criminosa

No pedido apresentado ao Poder Judiciário, os membros do GAECO descreveram detalhadamente como os criminosos agem, obtendo lucro em cada etapa de uma cadeia de ilícitos que começa nas ruas, com o furto ou roubo de aparelhos, e se estende pelo roubo de dados e revenda do aparelho e de peças. 

O ciclo se dividia em pelo menos quatro núcleos:

O primeiro reúne os criminosos responsáveis por roubar os aparelhos das vítimas, muitas vezes por meio da quebra de vidros de automóveis nos congestionamentos na capital paulista, além de roubos, latrocínios e furtos em grandes eventos. 

Os celulares furtados ou roubados chegam ao segundo núcleo, encarregado de desbloqueá-los e de transferir valores de contas bancárias das vítimas para contas de terceiros, além do roubo de dados pessoais.

O terceiro núcleo cuida da revenda dos aparelhos. Para tanto, alteram o IMEI (número que identifica cada celular) e removem outros bloqueios técnicos para realocação de peças, recorrendo a sites hospedados no exterior. Com isso, os celulares são revendidos sem vínculo aparente com os registros dos crimes antecedentes, frustrando as providências de bloqueio associadas ao IMEI original. 

O quarto núcleo é responsável por desmontar os celulares, vendendo as peças dos aparelhos separadamente para maximizar o lucro da atividade ilícita.

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