O mais recente equipamento de observação espacial enviado ao cosmos pela Nasa recebeu o nome de Nancy Grace Roman, uma homenagem direta à pioneira que inaugurou o primeiro posto de liderança feminina na agência espacial e ficou conhecida mundialmente como a Mãe do Hubble.
Origens e formação da cientista
Natural de Nashville, no Tennessee, a especialista nasceu em um lar acadêmico, sendo filha de uma professora de música e de um pai físico e matemático. Seu interesse pelas ciências estelares surgiu ainda na adolescência. Ela concluiu sua graduação na área em 1946 no Swarthmore College e obteve o doutorado pela Universidade de Chicago em 1949, complementando sua trajetória com uma pós-graduação no Observatório Yerkes.
Conquistas históricas na agência espacial
Antes de consolidar seu nome na história, Roman colaborou com o lançamento do Observatório Aéreo Kuiper, operando com comprimentos de onda infravermelhos. Ao longo de sua carreira, quebrou barreiras significativas ao se tornar a primeira mulher em um cargo executivo na Nasa, atuando como chefe de Astronomia.
Na década de 1960, desempenhou um papel central para viabilizar o projeto que resultaria no telescópio Hubble, articulando articulações políticas e recursos financeiros essenciais. No entanto, sua trajetória não foi isenta de obstáculos: enfrentou forte discriminação em um setor dominado por homens e denunciou abertamente a desigualdade salarial, recebendo cerca de 60% do valor pago a colegas do sexo masculino que exerciam as mesmas funções.
Contribuições fundamentais para a astronomia
Investigando a composição estelar, a astrônoma gerou descobertas cruciais sobre a evolução da Via Láctea. Ela demonstrou que a presença de elementos químicos pesados nas estrelas relacionava-se diretamente com sua velocidade e trajetória, o que permitiu o desenvolvimento de um modelo matemático voltado ao estudo do nascimento de astros em nebulosas.
Seu trabalho de mapeamento revelou que corpos celestes situados em uma mesma região podem ter idades distintas, aprimorando a compreensão sobre a arquitetura da galáxia. Além disso, no Laboratório de Pesquisa Naval em Washington, empregou ondas de rádio para refinar as medições de distância entre a Lua e a Terra, mapeando vastas áreas da Via Láctea.
O impacto do telescópio Nancy Grace Roman
Desenvolvido para proporcionar uma perspectiva ampla do universo, o novo equipamento conta com tecnologia infravermelha avançada para investigar exoplanetas, matéria e energia escura. O instrumento supera antecessores consagrados ao contar com 18 sensores de pixel de grande porte, contrastando com os dois sensores do Hubble e os oito do James Webb.
A expectativa dos cientistas é que o dispositivo colete impressionantes 1.375 terabytes de dados diariamente, catalogando bilhões de corpos celestes, além de dezenas de milhares de explosões estelares, buracos negros e novos planetas. Nancy Grace Roman faleceu em 2018, aos 93 anos, deixando uma contribuição definitiva para a exploração espacial.

