A conscientização sobre a qualidade nutricional nos primeiros anos de vida ganhou destaque em Guarulhos em decorrência de marcos do calendário da saúde: a semana do Dia das Crianças, o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado em 11 de outubro, e o Dia Mundial da Alimentação, comemorado nesta sexta-feira (16). A Secretaria Municipal da Saúde reforçou alertas a respeito do avanço do excesso de peso entre os mais jovens e as medidas necessárias para assegurar o pleno desenvolvimento da infância.
Cenário preocupante e impactos no organismo
Classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o acúmulo anormal ou excessivo de tecido adiposo, a obesidade infantil configura uma enfermidade crônica que eleva as chances de surgimento de quadros clínicos complexos. O problema está diretamente ligado ao risco precoce de diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, disfunções hepáticas e renais, asma, dores articulares e formas variadas de câncer, a exemplo dos tumores de mama, cólon e reto, além do agravamento de infecções como a covid-19.
As projeções globais reforçam a urgência do debate. Conforme dados do Atlas Mundial da Obesidade 2026, produzido pela Federação Mundial da Obesidade, o total de indivíduos de 5 a 19 anos vivendo com a condição foi calculado em cerca de 177 milhões em 2025. A estimativa aponta um salto para 228 milhões até 2040, fazendo com que a prevalência nessa faixa etária suba de 8,7% para 11,9% da população mundial correspondente.
Causas do ganho de peso e o papel da família
O aumento excessivo de peso resulta de uma combinação de fatores genéticos, biológicos e comportamentais. O ritmo acelerado do cotidiano familiar muitas vezes estimula o consumo frequente de itens ultraprocessados e altamente calóricos em detrimento de preparações caseiras. Esse cenário é intensificado pela inatividade física e pela troca de brincadeiras ativas por longos períodos em frente a telas de computadores, celulares e televisores.
Para frear esse avanço, as recomendações estruturadas no Guia Alimentar para a População Brasileira, elaborado pelo Ministério da Saúde, indicam priorizar ingredientes in natura ou minimamente processados. A rotina alimentar deve se concentrar em opções como:
- Arroz e feijão;
- Frutas, legumes e verduras frescas;
- Ovos e carnes.
Por outro lado, ultraprocessados como refrigerantes, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados e macarrão instantâneo devem ser deixados de lado. No ambiente doméstico, os especialistas orientam estabelecer horários fixos para as refeições, afastar aparelhos eletrônicos da mesa, envolver os pequenos no preparo dos pratos e manter uma rotina saudável de sono.
O incentivo ao movimento por meio de passeios de bicicleta, caminhadas e atividades ao ar livre também é essencial. Os profissionais frisam que o cuidado com o bem-estar infantil deve ocorrer sem constrangimentos, evitando críticas sobre a estética corporal, comparações destrutivas e restrições alimentares extremas sem acompanhamento técnico.
Acompanhamento médico e suporte na rede pública
No município de Guarulhos, a rede pública oferece suporte gratuito para monitorar o crescimento das crianças. As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) acompanham os pacientes por meio de consultas regulares de puericultura, nas quais o estado nutricional é examinado periodicamente. Quando identificado o sobrepeso, o atendimento pode ocorrer de forma individual ou em grupos com apoio multidisciplinar. Casos que demandam avaliação aprofundada são direcionados ao Ambulatório da Criança.
Primeiros mil dias e aleitamento materno
A atenção à obesidade começa antes mesmo do nascimento. Fatores maternos, incluindo sobrepeso, diabetes, tabagismo e obesidade prévia, representam riscos diretos para o bebê, conforme demonstrado no Atlas Mundial da Obesidade 2026. Por essa razão, as UBSs realizam o acompanhamento pré-natal detalhado para intervir em possíveis intercorrências gestacionais.
Após o parto, a alimentação natural cumpre papel protetor fundamental. As diretrizes do Ministério da Saúde preconizam a amamentação exclusiva até o sexto mês de vida, mantendo o leite materno complementado com alimentos saudáveis até os dois anos ou mais. Na cidade, mulheres que encontram dificuldades nesse processo têm à disposição o suporte do Banco de Leite Humano.
Em consonância com o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, a Secretaria da Saúde salienta ainda que alimentos ultraprocessados e receitas que levem açúcar refinado ou derivados são totalmente contraindicados antes dos dois primeiros anos completos de idade.
