LarSÃO PAULOPerigo dos descongestionantes nasais: especialista do Iamspe alerta para efeito rebote e...

Perigo dos descongestionantes nasais: especialista do Iamspe alerta para efeito rebote e danos à saúde

A combinação de tempo seco com a maior dispersão de pólen característica da primavera costuma intensificar crises respiratórias como rinite e sinusite. Diante da dificuldade para respirar e da constante irritação nasal, a busca por alívio rápido faz com que muitas pessoas utilizem descongestionantes por conta própria. Contudo, especialistas do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), em São Paulo, advertem que a utilização contínua e sem recomendação médica pode gerar o chamado efeito rebote, trazendo prejuízos adicionais ao organismo.

A dinâmica da vasoconstrição e a dependência do medicamento

Segundo explica a médica otorrinolaringologista do Iamspe, Maria Dantas Godoy, a função desses fármacos é atuar diretamente nos vasos sanguíneos, diminuindo o inchaço da mucosa interna e restabelecendo o fluxo de ar de forma rápida. Apesar da eficácia pontual para tratamentos breves, a repetição excessiva diminui a resposta do corpo e traz a obstrução de volta com mais intensidade, criando um ciclo vicioso.

“Esse é o chamado efeito rebote: o medicamento provoca a vasoconstrição, diminui o edema e, depois, o inchaço volta. Assim, o nariz acaba alternando entre períodos de melhora e de obstrução. É o que chamamos, popularmente, de vício”, esclarece a especialista.

Impactos sistêmicos em órgãos vitais

Os perigos do uso descontrolado não se limitam às vias aéreas. Determinadas substâncias presentes nas fórmulas podem ser absorvidas pela corrente sanguínea, estendendo a ação vasoconstritora para o restante do corpo. Quando isso acontece, órgãos vitais como os rins e o coração podem ser sobrecarregados, potencializando complicações graves, sobretudo em indivíduos que já convivem com doenças prévias.

Em razão desses fatores, a médica pontua que o fármaco é benéfico apenas quando prescrito de forma correta e por prazos curtos, não devendo ser adotado de maneira indiscriminada.

Processo de desmame e opções seguras de alívio

Pacientes que já desenvolveram o efeito rebote necessitam de orientação médica para interromper o uso gradualmente. Uma das condutas recomendadas consiste na diluição sucessiva do produto com soro fisiológico: ao atingir a metade do frasco, preenche-se o restante com a solução salina, repetindo o procedimento a cada nova metade até que o princípio ativo seja totalmente eliminado.

Como alternativa diária para limpar as vias e combater o ressecamento, a lavagem com soro fisiológico continua sendo a intervenção mais indicada. O método de aplicação varia conforme cada perfil:

  • Seringas adequadas;
  • Garrafas próprias para irrigação nasal;
  • Aparelhos de jato contínuo.

A indicação do melhor instrumento para a lavagem nasal deve ser definida individualmente durante a avaliação clínica com o especialista.

ARTIGOS RELACIONADOS

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

MAIS LIDAS

COMENTÁRIOS RECENTES