A política de segurança pública aplicada por Nayib Bukele em El Salvador virou o principal modelo para candidatos de direita que disputam as eleições de 2026 no Brasil.
O apelo da tolerância zero e seus defensores
Nomes como Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) passaram a defender propostas de endurecimento penal, criação de superpresídios e retomada de áreas dominadas por criminosos. O estilo de governo focado no encarceramento em massa atrai eleitores que buscam respostas firmes contra a criminalidade.
Flávio Bolsonaro, por exemplo, propõe criar meio milhão de novas vagas prisionais em quatro anos e erguer cinco novos presídios federais de segurança máxima. Já o plano de Renan Santos aposta em uma guerra declarada contra cartéis, unindo tecnologia de ponta e tribunais especializados. Por fim, Romeu Zema sugere erguer penitenciárias em locais isolados e classificar facções como grupos terroristas.
O obstáculo da Constituição de 1988
Apesar do entusiasmo político, especialistas apontam barreiras intransponíveis para a importação dessas práticas. A professora de Direito Jenifer Moraes ressalta que o sistema de El Salvador se sustenta em um estado de exceção que suspendeu direitos básicos.
No Brasil, a Constituição de 1988 garante o direito ao habeas corpus, à ampla defesa e ao contraditório. Essas garantias fundamentais impedem que prisões em massa ocorram sem o devido processo legal, tornando inviável a cópia fiel do modelo salvadorenho.
Diferenças estruturais do crime organizado
Outro ponto crítico é a diferença na natureza das organizações criminosas. Enquanto as gangues salvadorenhas, como a MS-13, focavam no controle territorial urbano e extorsão local, facções brasileiras como o PCC e o Comando Vermelho operam em redes transnacionais de tráfico e lavagem de dinheiro.
Além disso, as maiores facções brasileiras nasceram dentro do próprio sistema carcerário. Especialistas alertam que um aumento desordenado no número de presos, sem o devido controle estatal, pode acabar fortalecendo as redes criminosas em vez de enfraquecê-las.
