Uma nova pesquisa científica aponta que pacientes com câncer de pulmão acumulam uma quantidade significativamente maior de microplásticos em seus órgãos respiratórios quando comparados a pessoas sem a doença.
Como o estudo foi realizado na Grécia
O levantamento examinou 100 indivíduos que passaram por procedimentos médicos para investigar sintomas pulmonares em uma unidade hospitalar grega. Destes, metade recebeu o diagnóstico positivo para tumores malignos após os exames.
Os dados coletados revelam que 70% dos voluntários avaliados apresentavam partículas plásticas detectáveis em pelo menos uma amostra recolhida.
Tipos de partículas encontradas nos exames
Utilizando métodos como a broncoscopia — técnica que possibilita visualizar a área interna e extrair fragmentos —, os especialistas contabilizaram 232 fragmentos no total.
Os materiais predominantes foram o polietileno e o polipropileno, substâncias amplamente empregadas na fabricação de embalagens, tecidos e utilidades cotidianas. A distribuição dessas micropartículas mostrou-se irregular, aparecendo ora nas vias aéreas, ora diretamente no tecido pulmonar.
Relação entre os resíduos e a doença
Embora os cientistas ressaltem que o levantamento não comprova uma relação de causa direta entre a inalação desses resíduos e o surgimento de tumores, os achados confirmam que o material poluente do ar é absorvido pelo corpo humano.
O pesquisador Ilias Dimeas pontua que o objetivo agora é compreender com exatidão onde esses detritos se alojam e se eles exercem influência sobre patologias. Novas etapas de testes já estão em andamento para avaliar o impacto do plástico em células humanas e em portadores de enfermidades respiratórias crônicas. O estudo completo será divulgado em outubro, durante o Congresso da Sociedade Respiratória Europeia, na Espanha.
