Em busca de reverter a desvantagem observada nas urnas no primeiro turno, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou uma profunda reorganização em suas estratégias de comunicação, com ênfase no engajamento digital e na presença corpo a corpo. O objetivo central é diminuir a diferença para o senador Flávio Bolsonaro (PL) antes da votação do segundo turno, marcada para o dia 25 de outubro.
Mudança de formato e aproximação com as redes
Durante reunião realizada na quarta-feira (7/10) com lideranças e parlamentares recém-eleitos, Lula concordou em adotar formatos mais espontâneos e diretos nas redes sociais. Auxiliares vinham solicitando a gravação de conteúdos em formato de vídeo vertical (estilo selfie), ideia à qual o mandatário apresentava resistência. Com a mudança de postura, o petista publicou nove gravações desse modelo no próprio dia do encontro, dividindo a tela com aliados ou dirigindo-se sozinho ao público.
Em uma das mensagens gravadas para incentivar o comparecimento às urnas e frear a abstenção, o candidato ressaltou a relevância de cada voto:
“É importante nesse segundo turno você comparecer para votar porque você tem família, porque você tem filho, porque você tem neto, porque você tem o Brasil para você tomar conta. É muito importante você levantar e votar porque você vai decidir o destino do seu país.”
Cenário eleitoral e reorganização interna
A primeira etapa da disputa nacional terminou com Flávio Bolsonaro somando 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16% — uma desvantagem de aproximadamente 2,2 milhões de votos. Paralelamente, o senador do PL ampliou sua base política ao receber o apoio formal de legendas como União Brasil, Progressistas (PP) e Republicanos.
Internamente, a coordenação petista passou por readequações de rota. Em diálogo com parlamentares, Lula chegou a pontuar que a atual estrutura da campanha foi a menos organizada da qual tomou parte desde sua primeira disputa ao Planalto, em 1989. O candidato, contudo, prometeu empenho constante nos novos meios e brincou que passaria a acordar cedo para produzir conteúdo diário pelo celular.
Articulação da bancada jovem
A contraofensiva lulista tem como alicerce nomes jovens recém-eleitos para o Congresso Nacional que possuem forte apelo nas redes e na militância de base:
- André Janones (Rede-MG): O deputado organizou um canal no aplicativo WhatsApp para mobilização de apoiadores que somou 2,1 milhões de integrantes em um intervalo de três dias.
- Ana Elisa (PT-MG): Eleita deputada federal aos 21 anos com 524.219 votos e detentora de 2,8 milhões de seguidores digitais, ela desponta como peça-chave para recuperar terreno em Minas Gerais, estado onde Flávio Bolsonaro abriu vantagem de 588.612 votos no primeiro turno.
- Guilherme Cortez (PSol-SP): Parlamentar eleito que também auxiliou nas orientações de linguagem e dinamismo nas redes.
- Rosa Amorim (PT-PE): Integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e deputada federal eleita mais votada do PT em Pernambuco aos 29 anos, atua na liderança das ações com o público jovem.
Segundo Rosa Amorim, a mobilização da juventude atuará em duas frentes simultâneas: escolas e universidades, além do ecossistema virtual. A parlamentar eleita explicou:
“Estamos construindo a nossa agenda em torno desse giro nas universidades, esse diálogo com o primeiro voto nas escolas e também, pautando junto à campanha do presidente, a importância de cada vez mais apresentar nessa eleição um projeto de futuro para a juventude, que passa por muitos pontos. A educação é um desses pontos centrais, mas que passa também pelo emprego e renda, a segurança pública.”
