O resgate de um felino que vivia em condições precárias na Albânia comoveu defensores dos direitos dos animais em outubro de 2018. Lenci, um espécime de oito anos, sofria com uma grave infecção ocular e maus-tratos em um estabelecimento que ganhou a fama de pior zoológico da Europa.
As condições extremas no Safari Park Zoo Fier
Por um longo período, Lenci, acompanhado por outros dois felinos chamados Zhaku e Bobby, permaneceu confinado sobre pisos de concreto. Os animais não tinham qualquer tipo de abrigo contra intempéries como sol forte, chuva ou ventos intensos, além de jamais receberem assistência médica para enfermidades crônicas.
A operação de salvamento foi liderada pela instituição austríaca VIER PFOTEN (Four Paws). Logo após a retirada do local, o trio foi alojado provisoriamente na capital albanesa, Tirana, aguardando liberação governamental para deixar o país rumo aos Países Baixos.
Burocracia superada e viagem histórica
Como o processo de transferência sofreu atrasos devido a trâmites burocráticos, uma petição pública reuniu mais de 7 mil assinaturas para pressionar as autoridades. A mobilização popular garantiu a emissão das licenças necessárias para o translado internacional.
A jornada cobriu três mil quilômetros ao longo de 52 horas, cruzando dez fronteiras até que os animais chegassem ao seu destino final: o santuário holandês FELIDA Big Cat Sanctuary, especializado na reabilitação de grandes felinos resgatados de situações críticas.
Nova rotina e o final emocionante
Na nova casa, o quarteto formado por Lenci, Bobby, Iven-Asen e Terez passou a viver em harmonia. Após se recuperar de traumas físicos, incluindo uma hérnia de disco e problemas na visão que deixaram seu rosto levemente assimétrico, Lenci desenvolveu um comportamento brincalhão e passou a entoar rugidos em coro com os demais leões do santuário.
Infelizmente, a saúde debilitada pelos anos de maus-tratos cobrou seu preço. Zhaku faleceu dois meses após a chegada, e anos mais tarde, em janeiro de 2021, Lenci apresentou complicações decorrentes de um cisto nasal. Durante o pós-operatório, o animal feriu a si mesmo e, devido ao agravamento severo da infecção, os veterinários optaram pela eutanásia humanitária para poupá-lo de sofrimento. A equipe do santuário prestou homenagens ao felino, destacando que sua passagem marcou profundamente a instituição holandesa.

