O foco central da política dos Estados Unidos em relação à Venezuela nunca foi a redemocratização do país sul-americano, mas sim o controle estratégico de suas vastas reservas de petróleo. A análise é do professor de Política Internacional da Uerj, Paulo Velasco.
Transparência nas intenções de Trump
Segundo o especialista, o ex-presidente norte-americano Donald Trump adotou uma postura totalmente transparente sobre o assunto. Ao contrário de gestões anteriores, que tentavam mascarar interesses geopolíticos, Trump assumiu publicamente que a prioridade absoluta na região sempre foi a exploração energética.
Fragilidades jurídicas e prazos questionáveis
O acerto firmado entre os governos apresenta graves debilidades tanto no aspecto político quanto no campo legal. Velasco aponta que o pacto possui cláusulas consideradas bizarras, como um prazo de validade estipulado em 100 anos, algo inédito e sem precedentes na história da economia política global.
Investimentos e desconfiança do mercado
A promessa de injeção financeira de aproximadamente US$ 100 bilhões na infraestrutura petrolífera venezuelana pode até atrair novos capitais, mas o cenário de instabilidade jurídica faz com que grandes investidores mantenham cautela. O compromisso de longo prazo corre o risco de ser anulado por futuras gestões ou iniciativas políticas mais firmes.
O papel de Alejandro Betancourt
Outro ponto crítico levantado pelo professor envolve a figura de Alejandro Betancourt, apontado como controlador da empresa encabeçada no negócio. O empresário possui um histórico polêmico e já foi alvo de investigações criminais e ordens de prisão emitidas por autoridades judiciais na Suíça, além de enfrentar questionamentos no Reino Unido e na Espanha.
Impacto na política interna americana
Por fim, o analista destaca que a investida na Venezuela também cumpre objetivos eleitorais internos nos EUA, mirando as eleições de meio de mandato, as chamadas midterms. A narrativa de garantir barris de petróleo venezuelanos serve como estratégia para tentar conter a alta nos preços dos combustíveis no mercado norte-americano, impulsionada por conflitos internacionais, como as tensões envolvendo o Irã.

