As manifestações do feriado de 7 de Setembro serviram como palco principal para os presidenciáveis testarem e escalarem suas estratégias de campanha, evidenciando uma forte polarização entre a defesa institucional do governo e os ataques frontais vindos da oposição.
A estratégia da esquerda focada na soberania
Participando do tradicional desfile da Independência em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dividiu espaço com os chefes dos demais poderes, incluindo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o chefe do STF, Edson Fachin. O Palácio do Planalto aproveitou a ocasião para colar sua imagem ao conceito de independência nacional, exibindo painéis com o lema “Soberania, a força que une o Brasil”.
Horas mais tarde, as redes sociais oficiais do petista reforçaram a narrativa com publicações destacando que o país precisa se proteger de interferências externas e garantir o direito de autogestão.
A ofensiva da direita contra o STF na Paulista
Enquanto isso, a Avenida Paulista, em São Paulo, foi tomada por atos liderados por Flávio Bolsonaro (PL) e seus aliados. O foco central da manifestação foi a crise na Suprema Corte, agravada por atritos recentes entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. Os bolsonaristas homenagearam Mendonça com um boneco inflável gigante e concentraram artilharia em Alexandre de Moraes, exigindo seu impeachment devido ao vazamento de mensagens envolvendo o Banco Master.
Durante seu discurso, Flávio tentou colar a imagem de Lula à de Moraes, afirmando que votar no petista significaria endossar as decisões do magistrado. Outros nomes da chapa, como o candidato a vice Alfredo Gaspar e o pastor Silas Malafaia, reforçaram o tom crítico, enquanto o deputado federal Nikolas Ferreira anunciou um ato em Macapá para pressionar Davi Alcolumbre a pautar o afastamento do ministro.
Outros presidenciáveis se posicionam
A disputa eleitoral também contou com manifestações de outros concorrentes ao Palácio do Planalto. Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) participaram de atos em solo paulista com duras críticas ao Judiciário, enquanto Augusto Cury (Avante) preferiu caminhar com apoiadores no Rio de Janeiro mandando recados de apoio a André Mendonça. Em Goiânia, Ronaldo Caiado (PSD) acompanhou as comemorações locais e aproveitou para atacar a gestão petista, afirmando que o atual governo devolveu a nação à corrupção.
Cenário eleitoral segundo a Quaest
Todo esse movimento político ocorre sob o pano de fundo de uma nova pesquisa Quaest, realizada entre os dias 3 e 6 de setembro com 2,004 eleitores e registrada no TSE sob o número BR-01720/2026. O levantamento, que apresenta margem de erro de dois pontos percentuais e 95% de confiança, aponta Lula na liderança do primeiro turno com 36% das intenções de voto.
Logo atrás aparece Flávio Bolsonaro com 29%, seguido por Augusto Cury (8%), Renan Santos (3%), Ronaldo Caiado (3%), Romeu Zema (2%) e Pablo Marçal (1%). Eleitores indecisos somam 9%, enquanto brancos, nulos ou abstenções representam 8%.
