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El Niño pode superar recorde histórico de intensidade e atingir ápice em dezembro, alerta OMM

Um novo relatório divulgado na quinta-feira (8/10) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU), aponta que o atual evento do El Niño tem potencial para se tornar o mais severo já documentado. As projeções indicam que as águas superficiais do Pacífico tropical central e oriental podem atingir marcas de até 3,7 ºC além da média climatológica entre os meses de outubro e dezembro.

Superação de marcas históricas

Até o momento, o patamar mais elevado associado ao fenômeno ocorreu no intervalo de novembro de 2015 a janeiro de 2016, período em que a anomalia térmica alcançou 2,6 ºC acima do padrão. A confirmar-se o prognóstico da agência da ONU, o episódio de 2026 estabelecerá um novo teto de intensidade.

As medições recentes coincidem com um panorama de aquecimento planetário expressivo. De acordo com o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia, a média global de temperatura em agosto bateu 16,96 °C, empatando com julho de 2023 no posto de mês com os registros térmicos mais altos da história.

Comportamento e duração do fenômeno

Com periodicidade típica que oscila entre dois e sete anos, o El Niño promove o aquecimento anormal das águas na faixa equatorial do Oceano Pacífico. Essa dinâmica interfere diretamente na circulação dos ventos alísios, que podem enfraquecer ou ter sua trajetória alterada, desregulando os regimes de chuva e os padrões atmosféricos em todo o globo.

A OMM projeta que o evento continuará ganhando força nas próximas semanas, alcançando seu ápice no encerramento de dezembro. Os meteorologistas calculam ainda que a probabilidade de o ciclo se manter ativo até fevereiro de 2027 beira os 100%.

Impactos socioeconômicos e efeitos no Brasil

As repercussões projetadas para a sociedade e a economia trazem diversos alertas de organismos internacionais e especialistas:

  • Vulnerabilidade infantil: o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) adverte que crianças sofrerão consequências desproporcionais decorrentes das adversidades climáticas.
  • Custo humano e econômico: projeções científicas apontam que a versão extrema do fenômeno pode estar ligada a 451 mil óbitos globais até fevereiro de 2027, além de provocar uma retração de cerca de 2% no Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina.
  • Estruturas industriais: em Minas Gerais, a evolução climática coloca em atenção preventiva a situação de barragens e pilhas de rejeitos da atividade minerária.

Em território nacional, o padrão atmosférico induzido pelo El Niño costuma elevar o perigo de precipitações volumosas e enchentes na Região Sul. Em contrapartida, os estados da Região Norte enfrentam maior probabilidade de estiagens severas combinadas com episódios de calor intenso.

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