A menos de uma semana para o primeiro turno da disputa presidencial, marcado para 4 de outubro, os bastidores das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) indicam que o embate político pode ultrapassar a votação e o eventual segundo turno de 25 de outubro. Ambos os lados constroem narrativas para questionar a lisura do processo caso sofram derrota.
Alegada interferência internacional na mira do PT
Na hipótese de revés eleitoral, a equipe do petista se organiza para sustentar que a campanha adversária contou com impulsionamento indevido promovido por grandes corporações norte-americanas. Como parte dessa articulação, o PT já acionou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando apurações preliminares sobre o tema.
O movimento governista gera apreensão no comitê de Flávio Bolsonaro, que acompanha a atuação de ministros do STF em matérias que impactam a condução do pleito.
Alegações de ativismo judicial articuladas pelo PL
Por outro lado, o grupo ligado a Flávio Bolsonaro também acumula elementos para contestar uma possível vitória de Lula. O foco central recai sobre decisões judiciais recentes, como a determinação monocrática de Flávio Dino que reverteu a posição do ministro André Mendonça sobre a veiculação de conteúdos relacionados à padroeira Nossa Senhora Aparecida.
A tese bolsonarista de que o Judiciário teria atuado para favorecer o petista pode ser apresentada ao governo dos Estados Unidos pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro e pelo jornalista Paulo Figueiredo. A intenção dessa articulação seria pressionar a Casa Branca e outros países parceiros a não reconhecerem a legitimidade de um eventual triunfo de Lula nas urnas.
O cenário desenhado pelas duas frentes antecipa um clima de forte tensão institucional após a apuração, independentemente de quem saia vitorioso da disputa.
