A defesa do soldado da Polícia Militar Vinicius Costa Silva apresentou à Polícia Civil registros de áudio e mensagens de texto atribuídos à sua esposa, Larissa da Cruz Morata. O objetivo dos advogados é demonstrar que a técnica em radiologia já havia manifestado o desejo de tirar a própria vida anteriormente.
Prisão mantida e linha de investigação
O policial militar é considerado suspeito pelo falecimento da companheira e teve a prisão preventiva mantida pela Justiça após participar de uma audiência de custódia. A defesa sustenta a tese de que Larissa teria cometido suicídio no último domingo (6/9), no banheiro da residência do casal, onde foi localizada sem vida com um disparo na cabeça e a arma do marido sob seu corpo.
De acordo com a petição apresentada pelos advogados, os arquivos inéditos evidenciam um cenário de esgotamento, sofrimento emocional profundo e o uso contínuo de medicamentos antidepressivos pela vítima no período que antecedeu o caso.
Conteúdo das mensagens e áudios
Em trechos das conversas encaminhadas à cunhada — que estava presente no local no dia do ocorrido —, a vítima desabafa sobre o esgotamento mental e a angústia em relação ao relacionamento. “Quero morrer, man. Sério, tô tão saturada. Cansada de tentar fazer o meu melhor”, teria declarado Larissa em uma das mensagens de texto.
Em áudio enviado à mesma familiar, ela comentou sobre uma possível separação do policial: “Se ele não tá feliz, é mais fácil ele terminar, entendeu? E eu vou aguentar a barra. Vou sofrer, né? Mas vou aguentar a barra. Porque eu não quero terminar, só queria que ele mudasse”.
Depoimento e detenção do policial
Em seu depoimento oficial, o soldado relatou aos investigadores que ele e a esposa discutiram sobre o fim do relacionamento horas antes de o tiro acontecer. Vinicius foi detido na tarde de segunda-feira (7/9), durante o velório da esposa em Embu das Artes, na Região Metropolitana de São Paulo. A prisão foi efetuada pela Corregedoria da Corporação, sendo o suspeito encaminhado inicialmente a uma delegacia local e, posteriormente, transferido para o Presídio Militar Romão Gomes (PMRG), na zona norte da capital paulista.
Contradições e perícia
Embora o caso tenha sido inicialmente catalogado como morte suspeita com “dúvida razoável” quanto à hipótese de suicídio, elementos periciais levantaram questionamentos. A delegada responsável pela investigação, Bruna Cripa, apontou que divergências técnicas motivaram novas diligências. Entre os pontos de atenção está a localização do ferimento, provocado por um disparo próximo ao ouvido esquerdo, embora familiares afirmem que Larissa não era canhota.
A Polícia Civil solicitou exames residuográficos nas mãos de ambos e agendou a reconstituição do episódio para esclarecer a dinâmica exata do tiro. Enquanto a família da vítima contesta a versão de suicídio e aponta histórico de conflitos, a investigação segue reunindo laudos do Instituto de Criminalística para definir os próximos passos do inquérito.
