A reformulação estatutária do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte pavimentou o caminho para uma concentração de poder sem precedentes sob a liderança de Kim Jong Un, conforme aponta um levantamento divulgado nesta quinta-feira (3) por um centro de estudos de segurança da Coreia do Sul.
Supervisão estatal e militar
As alterações, sancionadas durante o 9º Congresso partidário realizado em fevereiro, reforçaram o comando de Kim e consolidaram a supremacia da legenda sobre a administração pública e as forças armadas, conforme destacou o Instituto de Estratégia para la Segurança Nacional, órgão vinculado à inteligência sul-coreana.
O documento aponta que os novos estatutos conferem ao secretário-geral — posição ocupada por Kim — a prerrogativa de convocar e liderar encontros do Politburo e de seu Comitê Permanente. Além disso, o líder ganhou autonomia para nomear ou exonerar autoridades de alto escalão, gerenciar admissões e exclusões de membros, e extinguir estruturas partidárias.
Eficiência em crises e tomada de decisões
A análise indica que tais prerrogativas asseguram a Kim a execução de um comando direto, reduzindo a dependência de instâncias coletivas de deliberação. Adicionalmente, as modificações buscam otimizar a dinâmica interna e intensificar o rigor administrativo sobre as esferas governamentais e castrenses.
Entre as determinações, estabeleceu-se a obrigatoriedade de assembleias plenárias do Comitê Central em um intervalo mínimo semestral. Também ficou decidido que o Politburo poderá deliberar sobre pautas urgentes em cenários de conflito, caso receba aval do Comitê Central, agilizando processos decisórios ao contornar a necessidade de convocar todo o plenário.
Ruptura histórica e nova fase
Outro ponto de destaque foi a supressão de menções remanescentes aos legados de Kim Il Sung, fundador da nação e avô do atual líder, e de Kim Jong Il, seu pai e antecessor, redirecionando o foco unicamente para a figura de Kim Jong Un.
O texto reformulado preservou a diretriz de rompimento com a tradicional meta de reunificação com a Coreia do Sul, movimento iniciado em 2024 quando Pyongyang passou a enxergar as nações vizinhas como dois países distintos em pé de hostilidade.
A idade mínima para filiação partidária sofreu alteração, passando de 18 para 20 anos, acompanhada por um endurecimento nas normas disciplinares aplicadas aos filiados. Especialistas do instituto classificam o conjunto de reformas como o marco de uma nova fase de centralização política no território norte-coreano.

