Apesar de dominar o noticiário político brasileiro nas últimas semanas, as revelações envolvendo ligações diretas e indiretas de presidenciáveis com o banqueiro Daniel Vorcaro não demonstraram força suficiente para alterar as previsões para o segundo turno da eleição presidencial.
Estabilidade nas pesquisas de intenção de voto
Mesmo com a exposição de contatos mantidos por Flávio Bolsonaro (PL) e por aliados próximos do presidente Lula, os principais levantamentos do país continuam indicando um quadro de estabilidade na corrida pelo Palácio do Planalto, sem mudanças drásticas nas tendências do eleitorado.
Uma análise cronológica dos institutos Quaest e Datafolha revela que o impacto inicial dos escândalos arrefeceu com o passar dos meses, retornando a patamares muito próximos aos registrados antes das primeiras denúncias virem à tona em meados de maio.
O impacto do caso Dark Horse
Quando o escândalo envolvendo pedidos de financiamento para filme estourou em maio, atingindo diretamente o candidato do PL, os números mostravam Lula com 39% contra 33% de Flávio na Quaest, enquanto o Datafolha apontava 39% para o petista e 35 para o adversário.
Após oscilações negativas para ambos os lados — incluindo operações que atingiram o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), em junho —, o cenário se acomodou. Pesquisas de setembro registraram Lula com 37% e Flávio com 30% na Quaest, e 38% a 33% no Datafolha, espelhando o panorama anterior.
O fator Alexandre de Moraes e novos testes
O real potencial de desgaste provocado por Daniel Vorcaro ainda passará por novas avaliações nas próximas semanas, uma vez que as pesquisas mais recentes não mensuraram integralmente a repercussão das mensagens que associam o banqueiro ao ministro Alexandre de Moraes, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Como a imagem desse trio é historicamente associada ao atual governo, a campanha bolsonarista tenta explorar o caso politicamente. No entanto, o envolvimento indireto de figuras da oposição, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o ministro André Mendonça, também veio à tona, equilibrando o peso das revelações e mantendo o tabuleiro eleitoral praticamente inalterado.
