O lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e seu filho, Romeu Antunes, voltaram atrás e votarão nas eleições de outubro diretamente do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Mudança de ideia após orientação jurídica
Em um primeiro momento, ambos assinaram um termo de renúncia ao direito de voto. De acordo com relatos, os detentos assinaram o papel em 22 de julho, quando policiais penais visitaram a cela, sob a crença de que se tratava de uma burocracia padrão aplicada a todos os internos.
Após dialogarem com a defesa, pai e filho solicitaram que a decisão fosse revertida junto à administração do presídio, visto que a prisão preventiva não tem previsão de revogação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Transferência temporária e urnas na prisão
O pleito foi aceito pela administração da Papuda, que enviou ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), no mês passado, a relação com os nomes dos dois e o pedido de transferência provisória do domicílio eleitoral.
Dessa forma, os dois poderão participar do pleito de outubro para todas as funções em disputa no Distrito Federal, desde deputado distrital até presidente da República. A votação ocorrerá por meio de urnas eletrônicas instaladas no Centro de Detenção Provisória (CDP), local que concentrará os votos dos detentos aptos na Papuda.
Investigações e codinomes na mira da Polícia Federal
No âmbito das apurações, enquanto o pai foi indiciado em duas frentes da Farra do INSS, o filho Romeu não figura na lista de indiciados pela Polícia Federal.
A corporação concluiu em julho o indiciamento de Antônio e de outras 47 pessoas, após examinar mensagens de celulares apreendidos que detalham a atuação do grupo. O relatório enviado ao STF aponta que o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, apelidava o lobista de “motoqueiro” e “senza capelli”. As conversas também revelam o uso de codinomes para outros investigados, como o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Filho, chamado de “malvado”, e Carlos Roberto Ferreira Lopes, tratado como “painho” e “funai”.
