Durante entrevista a jornalistas e sabatina realizada em São Paulo na última segunda-feira (7/9), o candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) posicionou-se como uma via alternativa ao cenário de forte polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Na ocasião, o concorrente ao Planalto abordou temas sensíveis, como propostas para a economia, o sistema previdenciário, os desdobramentos dos atos de 8 de Janeiro e alterações na estrutura do Supremo Tribunal Federal.
H2 Propostas de reforma no Supremo Tribunal Federal
Um dos pontos centrais da participação do candidato foi a defesa de mudanças profundas na mais alta corte de justiça do país. Cury defendeu a redução no número de cadeiras de ministros e a implementação de mandatos fixos de oito anos, sem direito à recondução ao cargo. Para ele, o formato atual precisa de revisão, inclusive nos critérios adotados para a escolha dos magistrados.
H3 Apuração de condutas e o caso Alexandre de Moraes
Questionado especificamente sobre a atuação de integrantes do tribunal, o presidenciável afirmou que o próprio STF deveria investigar eventuais posturas irregulares. Ao citar nominalmente o ministro Alexandre de Moraes, declarou que, caso fiquem comprovadas irregularidades graves, o magistrado deve responder por seus atos e pode enfrentar um processo de impeachment.
H2 Visão sobre os condenados do 8 de Janeiro
Em relação às pessoas punidas pelos eventos golpistas de 8 de Janeiro, o candidato descartou a utilização de um indulto como mero artifício de campanha eleitoral. Caso chegue à chefia do Executivo, prometeu analisar cada processo de forma individualizada com o objetivo de corrigir eventuais distorções nas sentenças.
Na avaliação do postulante ao cargo máximo do país, muitas das condenações aplicadas revelaram-se excessivas. Contudo, frisou que transgressões à lei devem ser rigorosamente punidas, embora o sistema penitenciário precise ser reformulado para focar prioritariamente na ressocialização dos detentos.
H2 Foco na pacificação nacional e economia
O discurso de Cury também deu destaque à necessidade de promover a pacificação nacional, direcionando críticas a militantes de ambos os lados da polarização por evitarem questionamentos aos próprios líderes. Segundo ele, a política brasileira deteriorou-se em uma disputa vaidosa que exige substituição por métodos racionais de gestão.
No setor econômico, o candidato apontou desafios urgentes, como o impacto da inteligência artificial e da automação no mercado de trabalho. Entre as medidas sugeridas está a divisão do BNDES em duas entidades distintas, destinando uma estrutura exclusiva para micro e pequenas empresas e outra para os grandes conglomerados corporativos. Sobre a Previdência Social, reconheceu a pressão gerada pelo envelhecimento demográfico, mas assegurou a manutenção dos reajustes das aposentadorias atrelados ao salário mínimo.
H2 Fim da reeleição e alegações de redes sociais
Definindo-se como um opositor radical ao instituto da reeleição, Cury assegurou que não tem intenção de construir uma trajetória longeva na política institucional, planejando convocar especialistas técnicos para compor a administração pública.
Por fim, ao rebater questionamentos sobre o aumento repentino de sua popularidade digital e supostas denúncias de compra de seguidores, o candidato negou as irregularidades. Atribuiu o avanço nas pesquisas e nas redes ao engajamento orgânico dos eleitores, destacando que aplicou apenas R$ 60 mil na estratégia de campanha na internet. Sobre um eventual segundo turno, afirmou que aceitará apoios de quaisquer legendas ou lideranças, desde que os aliados não tenham antecedentes de corrupção.
