Durante um ato político realizado no feriado de 7 de Setembro em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, o candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) surpreendeu ao enviar um recado público ao ministro do STF André Mendonça. Do alto de um trio elétrico, o presidenciável mencionou o magistrado e aproveitou para defender apurações rigorosas envolvendo a Suprema Corte.
Contexto da declaração e crise no STF
O aceno público de Cury ocorreu nos minutos finais de seu discurso na orla carioca, quando o candidato afirmou que gostaria de mandar “um abraço muito especial” ao magistrado, sem entrar em maiores detalhes sobre o motivo. A manifestação pública ganhou repercussão por coincidir com o acirramento das tensões nos bastidores do tribunal.
O episódio se desenrola em meio ao desgaste institucional entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, um embate que veio à tona após desdobramentos de investigações ligadas às operações Compliance Zero e Sem Desconto. O cenário de atrito ganhou novos capítulos após a divulgação de relatórios da Polícia Federal.
Investigações e repercussão jurídica
A crise no Supremo Tribunal Federal escalou depois que a Polícia Federal mapeou diálogos e encontros entre Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Diante do material, coube a Mendonça retirar o sigilo do documento elaborado pela corporação e solicitar que o mérito fosse avaliado pelo plenário da Corte.
A reação institucional não tardou. Enquanto a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou pela anulação das decisões tomadas por Mendonça, o ministro Alexandre de Moraes formalizou um pedido para que seu colega de tribunal seja investigado no âmbito do chamado inquérito das Fake News.
Discurso político e público presente
Ainda em cima do palanque móvel, o candidato do Avante direcionou críticas ao cenário de divisão política do país, utilizou borduns em defesa da família e declarou que os integrantes do Supremo precisam prestar contas à sociedade. Cury cobrou maior “transparência” e “independência” no Judiciário, reforçando que apurações sobre eventuais irregularidades devem ocorrer independentemente de quem seja o alvo.
O presidenciável ainda citou nominalmente outro magistrado ao reforçar seu posicionamento sobre o tema. “Eu defendo que o ministro André Mendonça e o ministro Fachin possam ter independência para investigarem qualquer ato de corrupção”, declarou, evitando citar diretamente o ministro Alexandre de Moraes.
Em relação à mobilização na capital fluminense, levantamento realizado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em conjunto com a ONG More in Common, apontou que o ato público atraiu um público estimado em 1.400 pessoas no momento de maior concentração, com variação de 1.300 a 1.600 presentes na margem de erro. A análise indicou que a maior parcela dos participantes era composta por cabos eleitorais ligados a candidaturas do próprio Avante.
