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Cursos gratuitos do Fundo Social impulsionam novos negócios na Grande São Paulo

A busca por autonomia financeira levou duas residentes de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, a converterem receitas caseiras em empreendimentos lucrativos. Jéssica Monteiro, de 29 anos, e Janine Conceição, de 46 anos, utilizaram as capacitações gratuitas da Praça da Cidadania, mantida pelo Fundo Social de São Paulo, para ingressar no mercado de alimentação artesanal após concluírem as aulas em 2025.

Superação e bolos sob encomenda no Parque Jandaia

Sem histórico de atuação formal com carteira assinada, Jéssica Monteiro cresceu acompanhando o preparo de bolos enquanto sua mãe trabalhava fora. Em 2020, ela chegou a comercializar pães de mel, mas a iniciativa foi interrompida pela pandemia de Covid-19. Disposta a se qualificar, ela se matriculou nas turmas de Confeitaria Básica e Avançada do Fundo Social.

O suporte técnico oferecido durante as aulas teóricas e práticas foi determinante para superar a insegurança, especialmente nas etapas de finalização visual dos confeitos.

“Abriu uma janela na minha mente. Eu fazia bolo para o meu pessoal, meus parentes de perto. A partir do momento em que eu fiz o curso, abriu um divisor e eu consegui entender que eu era capaz de fazer para outras pessoas”, relata Jéssica.

A primeira encomenda comercial ocorreu em agosto de 2025. Atualmente, operando a partir de sua residência no Parque Jandaia, Jéssica atende a uma média de sete pedidos semanais de bolos temáticos, doces e tortas salgadas, além de realizar vendas pontuais de fatias na porta de casa. O formato permite que ela concilie as entregas com a educação dos filhos.

Da Santa Ceia à rotina de panificação profissional

No bairro dos Pimentas, a manicure Janine Conceição vivenciou uma transição inesperada. Com quase dez anos de profissão na área de estética, ela aceitou o desafio proposto pelo esposo, que é pastor, para elaborar pães destinados aos rituais de Santa Ceia da congregação. Apesar de admitir que não apreciava cozinhar, ela buscou refinar o método ao notar inconsistências na fermentação.

Também em 2025, Janine completou os módulos Básico e Avançado de Panificação. A aprovação dos produtos no círculo religioso abriu caminho para a comercialização direta, oficializada em fevereiro de 2026 com opções tradicionais de sal e leite.

“Não vou dizer pra você que estou ganhando milhões, mas é um dinheiro que dá pra fazer outras coisas, sabe? É o dinheiro que, se estiver faltando algo na minha casa, ou algo pros meus filhos, ou algo pra mim, eu posso usar esse valor pra essa falta”, afirma Janine.

Mãe de três rapazes, ela aproveita a madrugada para assar entre seis e nove unidades por dia em épocas de maior demanda, garantindo um incremento orçamentário sem comprometer o atendimento aos clientes de manicure.

Perspectivas e alcance do programa estadual

Ambas projetam novos passos para o futuro: enquanto Jéssica pretende estabelecer um ponto comercial com cozinha industrial, Janine tem como meta expandir as vendas a ponto de atuar exclusivamente com panificação.

As duas microempreendedoras integram o grupo de mais de 18,4 mil participantes formados em 2026 pelas Escolas de Qualificação Profissional do Fundo Social de São Paulo, operacionalizadas com apoio da Fundação FAT e do Senac. As oportunidades de capacitação cobrem múltiplos eixos de atuação:

  • Gastronomia
  • Moda
  • Beleza
  • Construção Civil
  • Informática
  • Administração

O atendimento é descentralizado em 20 espaços na Grande São Paulo, compreendendo Praças da Cidadania, Centros de Integração da Cidadania (CICs) e instituições parceiras. O cadastro para os cursos permanece aberto de maneira ininterrupta e as inscrições são feitas por meio do endereço cursofussp@sp.gov.br.

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