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Operação Jubilados mira célula do PCC que atuava como tribunal do crime e espionava a polícia no DF

Uma ampla ação das forças de segurança foi deflagrada nas primeiras horas desta quinta-feira (8/10) com o objetivo de desestruturar o núcleo diretivo do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Distrito Federal e em estados vizinhos. Denominada Operação Jubilados, a ofensiva coordenada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) concentrou esforços para neutralizar lideranças e desmantelar a infraestrutura virtual que geria atividades criminosas a partir de prisões e meios digitais.

Espionagem e julgamentos clandestinos

As investigações apontam que a célula batizada internamente de “Faculdade Brasília” reunia cerca de 80 membros formalizados e funcionava como um autêntico centro de comando e tribunal executivo da facção na capital federal. Utilizando canais de mensagens restritos, o grupo coordenava o fornecimento de armamentos, a contabilidade, a redistribuição de entorpecentes em pontos de venda chamados de “lojas” e o suporte logístico a presidiários.

Entre as atribuições mais sensíveis do grupo estava um núcleo clandestino de contrainteligência. Esse setor monitorava deslocamentos de viaturas, operações em andamento e rotinas dos órgãos de segurança para frustrar diligências policiais. Simultaneamente, os envolvidos montavam relatórios detalhados com imagens, endereços de familiares e fichas de integrantes de gangues rivais com ordens expressas de assassinato.

Alcance dos mandados judiciais

Ao todo, a Justiça autorizou o cumprimento de 21 mandados de prisão temporária e 27 ordens de busca e apreensão. As diligências envolveram incursões em celas prisionais e endereços distribuídos em 10 regiões administrativas do DF:

  • Ceilândia
  • Samambaia
  • São Sebastião
  • Sol Nascente
  • Itapoã
  • Santa Maria
  • Candangolândia
  • Gama
  • Planaltina
  • Estrutural

Fora do Distrito Federal, as equipes cumpriram determinações judiciais no município de Águas Lindas de Goiás e nas cidades paulistas de Sorocaba e Indaiatuba, com apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo.

Origem nas investigações da Operação Mosaico

A ofensiva atual é fruto de relatórios e evidências colhidos durante a Operação Mosaico, realizada em dezembro de 2025. O processamento pericial de materiais recolhidos na época revelou a hierarquia reorganizada do PCC no DF, trazendo à tona fóruns virtuais como a “Faculdade Brasília” e o grupo “Juntos Somos Mais Fortes DF”.

As interceptações judiciais demonstraram que a organização mantinha departamentos específicos dedicados ao cadastro de novos membros, cobrança de mensalidades e rifas, aquisição de munições e imposição de disciplina interna com penalidades severas a infratores das regras da facção.

Integração policial e enquadramento penal

Os investigados detidos foram autuados com base no artigo 2º da Lei Federal nº 12.850/2013, relativo à integração em organização criminosa, cujas penas chegam a 8 anos de reclusão e multa. A apuração pode resultar em aditamentos posteriores por porte de armas de fogo, tráfico de drogas e homicídios conexos.

A mobilização tática contou com a atuação integrada de unidades de elite, incluindo o Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Decor) e a Divisão de Operações Especiais (DOE) da Polícia Civil do DF; policiais do Batalhão de Policiamento com Cães (BPCAES) e do Policiamento Tático Móvel (PATAMO) da PMDF; além de agentes da Polícia Penal do DF e a estrutura da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/DF). Os aparelhos eletrônicos apreendidos passam agora por perícia para subsidiar novas etapas das investigações.

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