Na reta final da campanha para o primeiro turno, os candidatos ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), participaram na noite desta terça-feira (29/9) do último debate televisivo antes das eleições. Realizado nos estúdios da TV Globo, no bairro do Brooklin, na zona sul da capital, o encontro teve forte tom de disputa nacional, com frequentes comparações entre as gestões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segurança pública e acusações políticas
O embate foi aberto com cobranças de Haddad sobre a ausência do oponente nos debates anteriores — Tarcísio havia participado somente do evento de estreia na TV Bandeirantes, realizado 51 dias antes, em 9 de agosto. Na sequência, a segurança pública pautou os primeiros confrontos.
Haddad questionou a presença do Comando Vermelho (CV) na região de Piracicaba. Em resposta, Tarcísio destacou a redução de indicadores criminais e ações contra facções, mencionando a extradição recente de dois integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) localizados na Bolívia.
O petista também trouxe ao debate a prisão do ex-vereador Milton Leite (União), criticando a proximidade de Tarcísio e do prefeito Ricardo Nunes (MDB) com a família do parlamentar. O candidato do Republicanos rebateu classificando a relação como institucional e contra-atacou afirmando que o adversário esteve acompanhado de uma pessoa ligada ao crime organizado durante agenda na Favela do Moinho.
Economia e saúde pública em foco
As comparações entre os governos federais dominaram as discussões econômicas e sanitárias. Enquanto o candidato do PT cobrou explicações sobre a herança de cirurgias represadas durante a pandemia e ressaltou os números de empregos de gestões petistas, o ex-ministro da Infraestrutura de Bolsonaro apontou problemas no cenário econômico atual, destacando endividamento e dificuldades financeiras de empresas.
“Compara os empregos que nós geramos com o que vocês geraram”, desafiou Haddad, enquanto Tarcísio sustentou que o país enfrenta empresas em crise e desaceleração econômica.
Propostas para transporte, mães atípicas e educação
Em meio às trocas de críticas, os postulantes apresentaram medidas voltadas a diferentes áreas sociais e de infraestrutura:
- Mães atípicas: Tarcísio propôs a redução da carga de trabalho para servidoras com filhos atípicos e a criação das Casas da Mãe Atípica no estado.
- Mobilidade: Haddad defendeu a implantação de um Bilhete Único Metropolitano; Tarcísio também se mostrou favorável a uma política tarifária metropolitana e confirmou a intenção de analisar o projeto.
- Saneamento e serviços: O petista criticou os processos de privatização, enquanto o governador defendeu a realização de concessões públicas e a desestatização da Sabesp.
- Educação: Questionado sobre a alfabetização estadual, Tarcísio mencionou o recebimento do Selo Ouro do Ministério da Educação (MEC). Em São Paulo, a taxa de alfabetização na idade certa atingiu 58,1%, patamar inferior à média nacional de 59,2%.
Presença de aliados nos bastidores
O encerramento contou com a citação de Flávio Bolsonaro (PL) por Tarcísio, enquanto Haddad voltou a defender a liderança de Lula. Na plateia, lideranças políticas marcaram presença para apoiar seus respectivos candidatos.
Ao lado de Tarcísio estiveram o prefeito Ricardo Nunes, a primeira-dama Cristiane Freitas, o vice-governador Felício Ramuth (MDB), Guilherme Derrite (PP), além dos deputados federais Baleia Rossi (MDB) e Ricardo Salles (Novo). Na comitiva de Haddad, compareceram Márcio França (PSB), Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), a esposa Ana Estela Haddad e o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT).
