Entenda a confusão em São Romão (MG), onde a tentativa de notificar um prefeito sobre cassação gerou fuga, manobras arriscadas e boletim de ocorrência. Uma tentativa de notificar o chefe do executivo municipal de São Romão, no Norte de Minas, transformou-se em uma perseguição de trânsito e em caso de polícia. Câmeras de segurança registraram o momento em que o presidente da Câmara Municipal, Robson Alves Barroso, tentou interceptar o veículo onde estavam o prefeito Allan dos Santos Cardoso, o Allan do Sax (MDB), e o secretário municipal de Transporte.
A perseguição e o medo do prefeito
A motivação para a abordagem foi a dificuldade em entregar uma notificação oficial referente a um processo de cassação de mandato. Como o prefeito não respondia aos chamados anteriores pelos canais habituais, os parlamentares decidiram ir atrás do documento pessoalmente. Nas imagens gravadas por câmeras de segurança, é possível ver o vereador subindo com uma caminhonete preta em um canteiro central e trafegando na contramão. O veículo oficial da presidência da Câmara fechou o carro do prefeito, bloqueando sua saída. Segundo o relato de Allan dos Santos Cardoso, a situação gerou pânico. O prefeito e o secretário que dirigia o automóvel relataram que chegaram a temer um atentado contra suas vidas, conseguindo escapar apenas após diversas manobras de ré para contornar o bloqueio.
Boletim de ocorrência e infrações de trânsito
Logo após conseguir deixar o local, o prefeito procurou as autoridades policiais para registrar um boletim de ocorrência. O caso agora passará por investigação para analisar as imagens das câmeras de segurança e ouvir os envolvidos. As manobras pela contramão e pelo canteiro central também levantaram debates sobre eventuais infrações de trânsito. Contudo, as autoridades ressaltam que apenas uma apuração oficial poderá determinar responsabilidades e se houve a prática de algum crime durante a abordagem.
Motivação da cassação e repercussão
Nas redes sociais, moradores dividiram opiniões sobre o episódio. Enquanto alguns criticaram o método utilizado pelo presidente da Câmara, classificando a ação como perseguição política e intimidação, outros questionaram a validade legal do procedimento para a entrega da notificação. O pedido de cassação foi protocolado em 24 de agosto de 2026 por um tenente da Polícia Militar. A denúncia aponta supostas infrações político-administrativas relacionadas à não execução de uma emenda parlamentar no valor de R$ 35.690,25. O recurso, enviado pelo vereador Robson Alves Barroso no orçamento de 2025, deveria ser usado na compra de um veículo para a Associação dos Amigos do Asilo de São Romão (AMISAR). De acordo com a acusação, após uma licitação deserta, a dotação orçamentária destinada à instituição teria sido zerada pelo Executivo municipal. O denunciante aponta violação ao Decreto-Lei nº 201/1967 e pede que o Legislativo avalie a perda do mandato do prefeito. Até o momento, não há confirmação de que o gestor municipal tenha assinado o recebimento da notificação de cassação. Os órgãos de imprensa tentaram contato com a prefeitura, com a Câmara Municipal e com os políticos envolvidos, mas nenhum deles retornou aos chamados até o fechamento desta matéria.
