A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) manifestou-se nesta terça-feira (8/9) para exigir que a Polícia Federal se mantenha totalmente isolada de disputas político-partidárias. O posicionamento veio a público logo após a ordem do ministro André Mendonça, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), que impôs o afastamento cautelar do diretor-geral Andrei Rodrigues pelo período de 90 dias.
Pedido de investigação isenta e transparente
A cúpula sindical exigiu que os fatos sejam investigados com rigorosa imparcialidade, responsabilidade e clareza. Em nota oficial, a entidade destacou que é imprescindível barrar qualquer investida de politização na corporação, independentemente de vir do próprio STF, do Poder Executivo ou de atores políticos envolvidos em disputas eleitorais.
Embora acompanhe o cenário com atenção e cautela, a federação frisou que prefere não emitir juízos de valor precipitados sobre as medidas em vigor. O entendimento é de que os órgãos competentes devem aprofundar as apurações respeitando o devido processo legal, sem que investigações pontuais manchem a autonomia da instituição policial.
Decisão do STF e desdobramentos
A medida cautelar assinada por Mendonça também atingiu o delegado Leandro Almada da Costa, que respondia pela Diretoria de Inteligência Policial da instituição. O magistrado justificou a canetada alegando ter sido vítima de um esquema de monitoramento clandestino conduzido pela corporação ao longo de um mês.
O imbróglio está conectado aos desdobramentos apurados no âmbito do Banco Master, cujos registros de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro citavam o nome do diretor-geral afastado.
A Segunda Turma da Suprema Corte iniciou a análise da matéria ainda nesta terça-feira. A maioria para referendar o afastamento foi atingida com os votos dos ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux, que seguiram o relator. O julgamento acabou pausado após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes, enquanto Dias Toffoli registrou impedimento, mas a suspensão da cúpula da segurança pública continua válida.
Por fim, a Fenapef reiterou seu perfil apartidário e focado na defesa das prerrogativas da categoria, sublinhando que o compromisso histórico dos servidores com a sociedade brasileira sobressai a qualquer crise conjuntural.
