A cidade de Nova Déli, capital da Índia, se prepara para sediar a cúpula anual de lideranças do Brics nos dias 12 e 13 de setembro, tendo como pilares centrais a resiliência, inovação, cooperação e sustentabilidade.
Preparativos e foco da presidência indiana
O embaixador indiano no Brasil, Dinesh Bhatia, destacou que cerca de 400 reuniões preparatórias ocorreram nos últimos meses. O objetivo principal tem sido traduzir as prioridades da presidência rotativa em cooperação prática e resultados concretos voltados para o desenvolvimento. O plano incluiu uma abordagem centrada nas pessoas, governança global inclusiva, reforço do multilateralismo e maior protagonismo para o Sul Global.
A evolução e expansão da aliança global
Fundada em 2006 por Brasil, Rússia, Índia e China, a aliança ganhou a adesão da África do Sul em 2010. O grupo passou por grandes ampliações em 2023, incorporando Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã como membros plenos — enquanto a Arábia Saudita foi convidada, mas não concluiu o processo.
Posteriormente, a Indonésia também integrou o bloco em 2025. Além disso, o grupo criou a categoria de países parceiros, que inclui Nigéria, Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Tailândia, Uganda, Vietnã e Uzbequistão, totalizando 11 membros plenos e 10 nações parceiras.
Posição brasileira e ceticismo diplomático
Nesta edição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não comparecerá ao evento, sendo representado pelo chanceler Mauro Vieira e uma comitiva de diplomatas. A expectativa de ministérios brasileiros é baixa, com o envio apenas de representantes secundários em alguns casos, refletindo a avaliação de que a cúpula não trará avanços expressivos.
O ceticismo do governo brasileiro decorre do momento desafiador enfrentado pelo bloco, marcado por divisões internas intensificadas pela guerra no Oriente Médio e pelas políticas tarifárias de Donald Trump. Diplomatas apontam que a rápida expansão do grupo ocorreu sem critérios rígidos e sem coesão sólida entre os novos integrantes.
Conflitos internos e impacto na diplomacia
As tensões geopolíticas afetaram diretamente a coesão do Brics. Durante a reunião ministerial preparatória em maio, ocorreram embates diretos entre o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, e representantes dos Emirados Árabes Unidos. O mal-estar escalou após acusações mútuas envolvendo o conflito com os Estados Unidos e alianças regionais.
Como resultado das divergências sobre a Faixa de Gaza e os bloqueios no Mar Vermelho e no Estreito de Bab el-Mandeb — atribuídos aos Houthis, apoiados por Teerã —, o encontro terminou sem uma declaração conjunta. A presidência indiana optou por divulgar um documento com ressalvas, evidenciando o tamanho do desafio para manter a unidade entre os países do bloco.
