LarBRASILA importância de estabelecer limites: o desafio de aprender a dizer 'não'

A importância de estabelecer limites: o desafio de aprender a dizer ‘não’

Após compartilhar que levou anos para conseguir recusar pedidos e que hoje busca transmitir esse aprendizado para sua filha caçula, Eva, a apresentadora Angélica levantou uma reflexão relevante sobre a tendência comum de assumir compromissos indesejados apenas para evitar descontentamentos alheios.

Origens emocionais e a busca por aprovação

A inclinação para agradar a todos frequentemente se desenvolve nos primeiros anos de vida. De acordo com a neuropsicóloga Roberta Machado, muitas pessoas passam a vincular aceitação ao atendimento contínuo das exigências externas desde jovens.

“Uma criança pode perceber, por exemplo, que recebe mais aprovação quando obedece, evita conflitos ou corresponde às expectativas dos adultos. Aos poucos, ela pode associar aceitação e segurança à necessidade de agradar”, detalhou a especialista.

Essa dinâmica pode acarretar culpa na fase adulta quando surge a necessidade de recusar algo, alimentando o receio de ferir sentimentos ou parecer egoísta.

Sinais de sobrecarga e impactos na saúde

A psicanalista, psicóloga e neuropsicóloga Cristiane Belmonte destaca que um indicativo clássico desse padrão é a concordância impulsiva: a pessoa expressa o ‘sim’ sem reflexão prévia, sentindo arrepio, irritabilidade e estresse logo depois, mas perpetuando a postura.

O psiquiatra Ciro Jorge Nascimento adverte que a anulação constante das próprias vontades cobra um preço alto da mente e do corpo:

  • Acúmulo excessivo de obrigações além da capacidade de execução;
  • Negligência do descanso e foco excessivo no que os outros esperam;
  • Surgimento de quadros de ansiedade, cansaço extremo e alterações no sono;
  • Sentimentos recorrentes de ressentimento e irritabilidade.

Estratégias para estipular limites saudáveis

Superar o desconforto de colocar freios nas relações é um processo gradual. Uma orientação prática recomendada por Cristiane Belmonte envolve ganhar tempo antes de responder a qualquer solicitação:

“Em vez de responder automaticamente, dizer ‘vou verificar e te respondo’. Esse pequeno intervalo já ajuda a perceber se há disponibilidade, vontade e condição reais para aceitar.”

O médico Ciro Jorge Nascimento complementa que a imposição de barreiras conscientes é fundamental para o bem-estar e otimiza a gestão de energia pessoal, sem representar falta de generosidade. Além disso, educar crianças para expressarem incômodos promove autonomia, desde que associado ao respeito mútuo e à empatia.

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