O Manchester City tem prazo até a próxima sexta-feira (2/10) para formalizar seu recurso contra as 115 acusações ligadas a supostas infrações financeiras. De acordo com informações divulgadas pelo jornal britânico Daily Mail, a agremiação pretende apresentar documentos classificados como “provas irrefutáveis” perante as autoridades desportivas da Premier League.
Linha de argumentação jurídica e origem dos recursos
A tese central que o clube planeja sustentar apoia-se na origem dos repasses financeiros. A defesa pretende demonstrar que o capital injetado adveio diretamente do governo de Abu Dhabi — entidade controladora dos patrocinadores —, e não do Abu Dhabi United Group, conglomerado privado pertencente ao Sheikh Mansour, membro da família real dos Emirados Árabes Unidos. Sob essa perspectiva, o City defenderá que não houve quebra de regulamentos.
Paralelamente, o periódico The Sun destacou que o cerne probatório da acusação reúne e-mails vazados que detalham discussões internas sobre a circulação e o fluxo de fundos corporativos repassados via patrocinadores até os cofres do clube. Outro ponto relevante da apuração é que a comissão julgadora avaliou que Mansour não tinha ciência de negociações fraudulentas, embora persista a indagação sobre como movimentações que somam 830 milhões de libras poderiam ocorrer sem o conhecimento do proprietário.
Outros elementos compõem a estratégia do clube inglês:
- A alegação de disparidade no cronograma processual, ressaltando que o caso levou dois anos para chegar ao veredito, em contraste com o prazo médio habitual de três meses em litígios similares;
- O fato de que nenhuma das 24 testemunhas ouvidas durante as sessões confirmou a existência de conspiração interna deliberada.
Período das infrações e precedente na Uefa
O conjunto de imputações formuladas pela Premier League abrange supostas irregularidades cometidas entre os anos de 2009 e 2018. As queixas envolvem omissão ou imprecisão no fornecimento de dados contábeis, ausência de transparência em pagamentos a treinadores e atletas, além do descumprimento das diretrizes de sustentabilidade financeira da própria liga e do Fair Play Financeiro (FPF) da Uefa.
Em âmbito continental, o clube já havia enfrentado processo similar. Em fevereiro de 2020, a Uefa determinou suspensão de dois anos das competições europeias e multa de 30 milhões de euros ao Manchester City. Contudo, cinco meses depois, o Tribunal Arbitral do Esporte (CAS) anulou o banimento por considerar que as acusações não foram comprovadas ou estavam prescritas. Na ocasião, o tribunal manteve apenas uma multa de 8,8 milhões de libras devido à falta de cooperação do clube com a investigação.
Penalidades previstas no regulamento da Premier League
O desfecho do processo segue os parâmetros descritos na regra W.51 do regulamento da Premier League. O dispositivo confere ao painel independente autoridade para aplicar uma ampla gama de penalidades disciplinares e administrativas, incluindo:
- Advertências formais e sanções financeiras;
- Perda e dedução de pontos na tabela, passível de aplicação imediata ou com efeito retroativo (o que poderia impactar resultados de temporadas anteriores);
- Exclusão definitiva da competição.
Adicionalmente, o artigo W.51.7 autoriza os julgadores a combinar diferentes sanções ou estabelecer medidas disciplinares alternativas que julgarem cabíveis diante da gravidade das infrações apuradas.
