A cinematografia do Distrito Federal alcançou destaque internacional ao faturar duas importantes láureas da crítica especializada durante a mais recente edição do Festival de Veneza. A obra Retorno a Buenos Aires, com comando do cineasta ítalo-argentino Marco Bechis, levou para casa o troféu de melhor longa-metragem, ao passo que o protagonista Adriano Giannini foi consagrado como o melhor ator.
As premiações integraram o Prêmio Francesco Pasinetti 2026, honraria entregue formalmente pelo Sindicato Nacional dos Jornalistas Cinematográficos Italianos. O projeto cinematográfico nasce de uma cooperação internacional entre Brasil e Itália, tendo a 34 Filmes, empresa com sede em Brasília, entre as produtoras principais. A força brasileira na empreitada também se estendeu às produtoras Sombumbo — encabeçada por André Ristum — e Neocórtex, liderada por Cibele Amaral.
Repercussão internacional e forte apelo emocional Logo após a exibição oficial na sexta-feira (11/9), a produção foi ovacionada pelo público presente na Itália, registrando impressionantes 14 minutos contínuos de aplausos. Membros da delegação brasileira marcaram presença na première para prestigiar o marco histórico.
O enredo transporta o espectador para o ano de 2008 na capital argentina, acompanhando o médico italiano Mariano Guerra (Adriano Giannini). Três décadas após ser sequestrado e torturado pelo regime militar local, ele retorna ao país sul-americano para testemunhar contra seus antigos captores. Hospedado em um alojamento oficial do Ministério da Justiça, o protagonista revive traumas, reencontra colegas de cativeiro e lida com feridas abertas do passado.
Elenco e equipe técnica de peso A representatividade nacional se fez forte tanto na frente quanto atrás das câmeras. A atriz Paula Cohen integra o elenco dando vida à magistrada Desideria Losada, enquanto Eduardo Hoy assume o papel de Mariano Guerra em sua fase jovem.
Nos bastidores, o talento brasileiro moldou a estética do filme por meio de profissionais como Eduardo Antunes (direção de arte), Alessandra Tosi (produção de elenco), Coca Serpa (figurino), além de André Ristum e Patrick de Jongh na produção executiva, e Beto Rodrigues como line producer.
Bastidores de gravação e tom autobiográfico As locações da película transitaram por múltiplos territórios. Após um trimestre dedicado à pré-produção, o cronograma exigiu quatro semanas de gravações em solo porto-alegrense, complementadas por mais três semanas de trabalho em Turim, situada no norte italiano.
O roteiro carrega forte carga pessoal, visto que o diretor Marco Bechis foi um prisioneiro político durante os anos de chumbo na Argentina — vivência traumática que reverbera em sua filmografia. Curiosamente, a conclusão das filmagens coincidiu com o cinquentenário do golpe de Estado de 1976, evento que deflagrou o período ditatorial argentino.
