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Lula desfalca cúpula dos Brics na Índia em meio a racha e foco eleitoral

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva será o único chefe de Estado dos países fundadores ausente na cúpula de líderes dos Brics, que ocorre neste final de semana em Nova Déli, sob a presidência da Índia. A decisão de não comparecer ao evento internacional foi motivada pelo calendário eleitoral brasileiro, que se aproxima da reta final do primeiro turno das eleições.

Conflito de agendas e o retorno de Vladimir Putin

A equipe presidencial teve de escolher entre o encontro do bloco de emergentes e a 81ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), marcada para a última quinzena de setembro em Nova York. Como tradição, o Brasil abre os discursos de líderes globais, garantindo a presença de Lula em solo norte-americano no dia 22 de setembro. Apesar da falta do petista, o país é representado pelo chanceler Mauro Vieira, diplomatas do Itamaraty e pelo sherpa Maurício Lyrio.

Em contrapartida, o encontro na Índia marca o retorno presencial do presidente russo, Vladimir Putin, às cúpulas do grupo desde 2024. O líder de Moscou estava ausente de reuniões presenciais devido a um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por acusações de crimes de guerra, o que impedia viagens a países signatários do Estatuto de Roma, como a África do Sul e o Brasil, que sediaram edições anteriores.

Desafios de unidade e tensões geopolíticas globais

Formado inicialmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, e expandido recentemente com a entrada de novos membros plenos e parceiros, o bloco enfrenta testes severos de coesão. Analistas apontam que a proximidade do governo indiano com Israel e Estados Unidos, somada aos conflitos recentes no Oriente Médio envolvendo o Irã — que também integra o grupo —, gera um cenário desfavorável para avanços diplomáticos consensuais.

Especialistas em política internacional destacam que a ausência de Lula é sentida devido ao papel histórico do Brasil como mediador de conflitos globais. Com divisões internas acentuadas entre as nações aliadas e divergências sobre crises geopolíticas, a cúpula em solo indiano caminha sob baixas expectativas de entregas conjuntas robustas, repetindo o clima de tensão observado em reuniões ministeriais recentes.

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