Os advogados de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, emitiram um comunicado nesta sexta-feira (4/9) declarando que os recentes relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF) comprovam a ausência de qualquer vínculo entre ele e as fraudes no INSS investigadas pela Operação Sem Desconto.
A tese de direcionamento ilegal nas investigações
Assinado pelo advogado Guilherme Suguimori Santos, o texto sustenta que a separação entre Lulinha e o esquema fraudulento ficou evidente com a instauração de novos inquéritos desvinculados da operação original. Para a defesa, essa movimentação evidenciou uma prática de “pescaria probatória” e direcionamento indevido de alvos.
Ainda segundo a nota jurídica, as suspeitas de contaminação processual levantadas anteriormente pela defesa ganharam força com a publicização dos documentos da PF ocorrida na última quinta-feira (3/9). Os papéis trazem questionamentos internos sobre a legitimidade e os limites operacionais das investigações conduzidas pela corporação policial.
Conflito institucional no STF
A manifestação pública da defesa ocorre em meio ao acirramento de uma forte crise no Supremo Tribunal Federal (STF), desencadeada pelo embate entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
No âmbito do Inquérito das Fake News, Moraes acionou a presidência da Corte contra Mendonça, imputando-lhe crimes de responsabilidade, improbidade administrativa e abuso de autoridade na condução da Operação Sem Desconto e da Operação Compliance Zero, que miram fraudes financeiras e relações com o Banco Master.
O estopim do conflito foi a quebra de sigilo determinada por Mendonça sobre mensagens do celular de Daniel Vorcaro, banqueiro do Master, que apontariam supostas cobranças indevidas e favorecimentos por parte de Moraes. Em contrapartida, Moraes alegou usurpação de competência, interferência em delações premiadas e perseguição motivada por interesses políticos.
Ressalvas nos documentos da Polícia Federal
Uma análise minuciosa dos arquivos expostos revela que o material possui diversas restrições técnicas. A própria corporação policial classificou algumas de suas premissas com graus de confiabilidade catalogados como “baixo” ou “moderado”.
Além disso, os papéis não contêm assinatura de delegados nem cabeçalho oficial, exibindo a marcação de “difusão restrita” e a advertência explícita de que representam apenas um cenário provisório, carecendo de valor probatório formal.
Enquanto o cenário jurídico e político permanece instável, a defesa de Lulinha reiterou que seu cliente segue à disposição da Justiça, manifestando expectativa de que o Judiciário repudie eventuais desvios políticos e determine o arquivamento definitivo do caso.
