A 36ª edição do Prêmio Ig Nobel, realizada nesta quinta-feira (3) em Zurique, na Suíça, celebrou 10 pesquisas científicas inusitadas que primeiro fazem rir e depois pensar, indo desde análises sobre como evitar respingos em mictórios até o comportamento de cobras venenosas.
A ciência por trás do humor e da curiosidade
Criada pela revista Annals of Improbable Research como uma sátira bem-humorada ao tradicional Prêmio Nobel, a premiação deste ano teve os fungos como tema central da cerimônia, que contou com aviões de papel e cientistas fantasiados de cogumelos interpretando óperas.
Apesar do tom cômico, os estudos reconhecidos são investigações sérias. O prêmio de economia, por exemplo, destacou evidências de que indivíduos da classe alta têm maior tendência a roubar doces de crianças e adotar posturas antiéticas. Já a categoria de química premiou a descoberta de que o leite de barata possui o triplo da energia do leite bovino.
Estudos peculiares ganham destaque internacional
Outros trabalhos que chamaram a atenção na Suíça envolveram áreas variadas do conhecimento. O vencedor de medicina analisou a aerodinâmica de como assoar o nariz, enquanto a pesquisa sobre a história evolutiva do beijo garantiu o troféu de biomecânica.
Para Matilda Brindle, bióloga evolucionista da Universidade de Oxford e coautora do estudo sobre o beijo, a curiosidade pura é indispensável para o avanço científico, mesmo em tempos em que áreas menos comerciais sofrem críticas e questionamentos.
Da necroimpressão aos impactos econômicos
No campo da física, o destaque foi para o projeto de design de mictórios sem respingos. Enquanto isso, na tecnologia, cientistas venceram ao utilizarem órgãos bucais de mosquitos como bicos de impressão 3D, técnica apelidada de necroimpressão.
Changhong Cao, coautor da pesquisa tecnológica da Universidade McGill, ressaltou que inovações assim nascem da atenção a detalhes aparentemente irrelevantes.
Especialistas reforçam que, por trás da fachada cômica, essas investigações impulsionam o progresso tecnológico. A professora Carly Anne York lembra que cerca de metade do crescimento econômico dos Estados Unidos decorre de descobertas fundamentadas em pesquisas básicas, provando que a busca por conhecimento nunca é uma perda de tempo, por mais inusitado que o tema possa parecer.

