A Procuradoria-Geral da República enviou ao Supremo Tribunal Federal nesta quinta-feira a proposta de delação premiada firmada pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e proprietário da Entre Investimentos e Participações.
Investigação sobre o Banco Master e o filme
O empresário é investigado no âmbito das apurações que envolvem o banqueiro Daniel Vorcaro. A suspeita é de que a empresa de Freixo tenha sido usada para viabilizar repasses financeiros destinados a financiar a cinebiografia intitulada Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Conforme apontam as apurações, o capital teria sido direcionado ao Havengate Development Fund, fundo sediado em solo norte-americano encarregado de gerir os valores e repassá-los à produtora Go Up Entertainment. Entre os administradores do fundo estaria Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Análise do STF e defesa
Este acordo de colaboração marca a primeira delação focada especificamente no caso do filme e a segunda ligada às frentes de investigação sobre o Banco Master, precedida pelo acerto do ex-gestor João Carlos Mansur. A homologação caberá agora ao ministro André Mendonça, relator do caso na Suprema Corte.
As autoridades buscam esclarecer a rota e a finalidade dos recursos, investigando se o montante repassado por Vorcaro foi integralmente aplicado na produção ou se houve desvio de valores para o ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A defesa do político nega o recebimento de verbas, alegando ter apenas cedido os direitos de imagem.
Posicionamento da produtora
Em nota oficial, a Go Up Entertainment declarou que os repasses feitos por Daniel Vorcaro, somando mais de US$ 1,6 milhão além de aportes anteriores que totalizam US$ 12,3 milhões, foram devidamente declarados à Justiça paulista em junho de 2026. A empresa também mencionou uma tentativa de transferência em outubro de 2025 que acabou não sendo concluída pelo sistema financeiro.
A produtora garantiu que todas as movimentações financeiras internacionais seguiram os trâmites legais, passando pelos canais formais e cumprindo as exigências regulatórias aplicáveis.

