A relação institucional entre o ministro André Mendonça, a cúpula da Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República caminha para novos e intensos atritos. Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, avalia-se que o cenário atual é delicado e tem potencial de agravamento diante dos próximos capítulos das investigações.
Origem da crise com a Polícia Federal
O mal-estar entre o magistrado e a corporação ganhou força após uma determinação para que a força policial repassasse dados brutos de uma operação ligada ao INSS diretamente ao gabinete do relator.
A ordem foi vista pelos investigadores como uma invasão de competência, já que a praxe prevê a perícia prévia dos elementos pela própria polícia antes do acesso judicial. Diante do impasse, a corporação tentou envolver a Advocacia-Geral da União para barrar a medida, mas a AGU preferiu não recorrer para evitar um desgaste maior.
Vazamento e desgaste interno
A avaliação no entorno do ministro aponta que a divulgação pública de um áudio envolvendo a conversa entre ele e Daniel Vorcaro teria partido da própria instituição policial, o que elevou ainda mais a temperatura nos bastidores de Brasília.
Conflito aberto com a PGR
Paralelamente, o clima com o comando da PGR também é de forte animosidade. O procurador-geral Paulo Gonet criticou duramente uma movimentação do magistrado referente a um relatório policial envolvendo Alexandre de Moraes.
Para a chefia do Ministério Público Federal, o relator extrapolou suas funções ao atuar como investigador de um colega de corte, tornando o ato nulo. Prevendo essa resistência, o ministro já havia articulado para que o tema fosse levado diretamente ao plenário do tribunal.
Como relator de processos sensíveis, o magistrado precisa constantemente de diligências policiais e pareceres ministeriais, cenário que torna a convivência tensa e inevitável para o andamento dos trabalhos na justiça.

